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16 de ago. de 2011
21 de set. de 2010
Londres-Paris-Brasil
Londres... Assim como Paris muita expectativa em cima de uma cidade. Tudo bem que foram sete dias, e sete dias corridíssimos, mas a sensação inicial foi parecida como a de quando cheguei em Paris. É uma cidade normal, bagunçada, trânsito infernal, pedintes aos montes, pessoas correndo para lá e para cá e para ajudar chegamos lá num dia de greve... CAOS!
Sou da Grande São Paulo (Osasco), mas mesmo assim (ou talvez por isso mesmo) detesto cidades grandes (pelo menos para morar). Nesse ponto Paris me agradou e hoje agrada muito mais (após 3 meses e da “Paris desmitificada”, gosto muito daqui). Londres me lembrou muito SP! Cinza, caótica, apressada... Uma cidade que funciona 24h por dia... Bem diferente de Paris, que começa a acordar às 9h e vai dormir 23h... Que respeita férias e feriados! Hehehe Mas para quem ama cidades grandes, Londres é o paraíso... E ainda mantém os patrimônios históricos (o que infelizmente não há no Brasil como aqui) e você também tropeça em museus... E melhor: gratuitos!
Houve dois pontos em Londres que me agradaram muito: os museus e os famosos “pubs”. Os museus são fantásticos. Impossível fazer jus aos mesmos apenas descrevendo-os ou mostrando fotos. Sou difícil de me impressionar e ficar deslumbrada na maioria das vezes, mas quando entrei no Natural History Museum me senti uma verdadeira criança diante do presente dos sonhos... Não tem como descrever. Talvez o meu “embasbacamento” tenha sido maior por eu ser bióloga e ainda uma fissurada em dinossauros, mas mesmo assim o museu deslumbra. E não bastando a exposição fazer isso o meu local de trabalho lá por uma semana, também me deixou com o queixo no chão. Excelente! Não sei se ainda entro em algum museu e fico assim... Digo que após todo o estresse de chegar em Londres foi compensado por conhecer o museu e provar o famoso “fish and chips” (filé de peixe frito acompanhado de batata frita, molho tártaro e purê de ervilhas) – isso porque eu nem sou a maior fã de peixe.
Sim, houve um enorme estresse para entrar em Londres. Chegamos bem antes do pedido na estação de trem aqui em Paris, mas assim que chegamos na “mocinha” da imigração inglesa foi absurdo o estresse que ela causou. Não vale a pena me prolongar com a encheção de s***o que ela nos causou, mas realmente eles implicam com brasileiros, especialmente mulheres. E não importa se você tem TODOS e mais alguns documentos para justificar sua ida lá e comprovar que você não pretende ficar lá. Resumindo: ela nos liberou faltando um minuto para o trem sair (o qual é de pontualidade britânica!), não havia sinalização de qual era o nosso vagão e graças ao franceses gentis (realmente Inglaterra e França é como Brasil e Argentina, mas pior!) nós entramos nos vagões iniciais antes do trem partir e nos dirigimos para o nosso vagão por dentro do trem. A partir desse dia peguei birra dos ingleses e me tornei francesa desde criancinha! Hahaha Brincadeira... Na verdade nem tão brincadeira assim... Precisei de uns dias para conhecer uns ingleses legais para deixar de ser tão inflexível. ^^ Mas o pessoal do museu foi muito gente boa e na cidade como um todo também. Mas eles não gostam de franceses mesmo!!! J
Ah, sem querer, no domingo, vimos a famosa “Troca da Guarda”. Nossa, que negócio mais londrino! De fato, o estereótipo de Londres não é só estereótipo. Os londrinos são bem londrinos. E não tem como não lembrarmos vááárias vezes do Monty Python lá. É mesmo o reflexo do humor londrino! J
E para não abandonar a França, por acaso (nem tão por acaso assim, uma vez que a escolha do albergue foi um muito próximo do museu) ficamos num bairro “francês” em Londres. Só não foi tão legal porque o albergue era muito ruim. Atendentes grossos e mal educados, vizinhos barulhentos e bedbugs (são hemípteros, para quem não conhecem podemos dizer que são “mini” parentes dos Barbeiros, difíceis de ver, que picam durante a noite e as feridas aparecem só depois de alguns dias... E coçam muito) nas camas.
Foi muito bom retornar para a França! Foi como chegar em casa! Foi engraçado.
Chegando a Paris agora, as últimas arrumações no museu, uma sensação esquisita de ansiedade por voltar e já de saudades daqui. Aprendi a gostar daqui.
No hotel (saímos do nosso Studio e estamos passando os últimos dias aqui num hotel familiar) conhecemos duas brasileiras, a Malu e a Morgana, que vieram de Londres no mesmo trem que nós e só conhecemos dois dias depois no hotel!!! Saímos para ver a torre Eiffel iluminada, conversar e tomar um chocolate quente/cerveja num restaurante espanhol perto do hotel. Elas estão fazendo um mochilão e fizeram um blog (http://moremalumochilandoeurotrip2010.blogspot.com/) onde contam as experiências ao redor da Europa! Foi um encontro muito divertido!
Nesse fim de semana foram os últimos passeios, coisas simples para dizer tchau à Paris. Andamos de barquinho no Sena, comemos baguete, fotografamos (de novo) o fim de tarde no Louvre... Tem horas que bate a ansiedade de ver a família e os amigos... Mas também tem horas que bate a vontade de ficar aqui só “mais um pouquinho”... J
Hoje encontrei dois brasileiros, um casal de Blumenau, Santa Catarina, e ajudei os dois a pedirem o café da manhã deles. Aí eles me confidenciaram que estão bastante decepcionados com Paris... A cidade é suja, o metrô fede e é velho, há pedintes aos montes, no geral os franceses são estúpidos e eles estão em Montmartre, que não é um bairro tão tranqüilo para se morar... Muitos imigrantes, muitos pedintes e muitos turistas (é o bairro da Sacre-Coeur, do Moulin Rouge, da Amelie Poulain e das lojinhas de souvenirs mais em conta). Aí conversei um tantinho com eles, sugeri uns passeios que os turistas de uma semana geralmente não fazem e falei que tinha a mesma impressão daqui no começo... Conversamos um tanto, foi legal. Aí, já atrasada para chegar ao museu me despedi deles (com abraços! A quanto tempo isso não acontecia! Aqui na França quanto muito dois beijinhos – o abraço é muito contato! - e em Londres as mãos e olhe lá! J) e eles me agradeceram por essa “nova perspectiva de Paris”. Acho que Paris me deve uma! Hehehe J
Bom, acho que as próximas novas serão aí pelo Brasil mesmo. Hoje Paris tem um belo céu azul, colorindo um dia ensolarado e de clima ameno. E que venha o céu cinza de Osasco e o calor de Ribeirão! J
Beijos e saudades!
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20 de fev. de 2009
Tem dias que a se sente assim...
... e hoje é um dia destes...
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
5 de mar. de 2008
Amizade

Alguém legal escreveu e alguém muito importante me passou isso para eu ler um dia...
Procura-se um amigo
"Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo... Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda sim vive."
Ilustração: Aquel viento que me trajo por Faboarts
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