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7 de jan. de 2010

Insect Evolution Below the Species Level

Na última edição da Ecological Entomology o tema é Insect Evolution Below the Species Level:Ecological Specialisation and the Origin of Species. Os artigos são oriundos da RES Darwin-Wallace Celebratory meeting, de 22 de abril de 2009.

Os artigos:

Preface (p v-v)
Hugh Loxdale, Mike Claridge, Jim Mallet

Setting the scenehellip meeting up with Darwin and Wallace (p 1-9)
HUGH D. LOXDALE

Evolutionary aspects of ecological generalism with special reference to conservation biological control (p 10-17)
IGOR EMELIANOV

DNA profiling of host–herbivore interactions in tropical forests (p 18-32)
SARA PINZÓN NAVARRO, JOSÉ A. JURADO-RIVERA, JESÚS GÓMEZ-ZURITA, CHRISTOPHER H. C. LYAL, ALFRIED P. VOGLER

Intranidal mating, gyne polymorphism, polygyny, and supercoloniality as factors for sympatric and parapatric speciation in ants (p 33-40)
BERNHARD SEIFERT

Does strong selection promote host specialisation and ecological speciation in insect herbivores? Evidence from Neochlamisus leaf beetles (p 41-53)
DANIEL J. FUNK

Speciation in fig wasps (p 54-66)
JAMES M. COOK, SIMON T. SEGAR

Sequential speciation and the diversity of parasitic insects (p 67-76)
JEFFREY L. FEDER, ANDREW A. FORBES

Reinforcement in hybrids among once isolated semispecies of Danaus chrysippus (L.) and evidence for sex chromosome evolution (p 77-89)
DAVID A. S. SMITH, IAN J. GORDON, JOHN A. ALLEN

Shift happens! Shifting balance and the evolution of diversity in warning colour and mimicry (p 90-104)
JAMES MALLET

The roles and interactions of reproductive isolation mechanisms in fall armyworm (Lepidoptera: Noctuidae) host strains (p 105-118)
ASTRID T. GROOT, MELANIE MARR, DAVID G. HECKEL, GERHARD SCHÖFL

The pea aphid complex as a model of ecological speciation (p 119-130)
PECCOUD JEAN, SIMON JEAN-CHRISTOPHE

Micro-evolutionary change in relation to insecticide resistance in the peach–potato aphid, Myzus persicae (p 131-146)
BRIAN FENTON, JOHN T. MARGARITOPOULOS, GAYNOR L. MALLOCH, STEPHEN P. FOSTER

Differences in defensive behaviour between host-adapted races of the pea aphid (p 147-154)
GRIT KUNERT, ELODIE BELZ, JEAN-CHRISTOPHE SIMON, WOLFGANG W. WEISSER, YANNICK OUTREMAN

Rapid genetic changes in natural insect populations (p 155-164)
HUGH D. LOXDALE

Cinema e Divulgação Científica???

Hum, que será que sai disso hein???

 

Filme inspirado em livro de descendente de Darwin chega ao Brasil em março

Filme inspirado em livro de descendente de Darwin chega ao Brasil em março O filme "Criação", que conta a história do cientista britânico Charles Darwin e está estreando nos Estados Unidos, foi baseado no livro "Annie's Box", escrito por Randal Reynes, tataraneto do criador da teoria da Evolução.

A obra, que ainda não possui edição nacional, se concentra no relacionamento do naturalista com sua família, em particular com a perda da filha Annie aos dez anos, e como essa tragédia influenciou a visão de Darwin sobre a religião. A adaptação para o cinema chegará ao Brasil em 26 de março e tem Paul Bettany e Jennifer Connelly no elenco.

E Randal Reynes não é o único descendente do cientista a escrever sobre o antepassado ilustre. Seu pai e bisneto de Darwin, Richard Keynes, organizou a obra "Aventuras e Descobertas de Darwin a Bordo do Beagle", que traz diários e registros, além de desenhos e pinturas feitos pelo naturalista e por outros viajantes do HMS Beagle.

Outros livros que tratam dessa famosa viagem, que foi determinante para a criação da teoria da evolução descrita em "A Origem das Espécies", são os dois volumes da série "Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo".


Fonte: Folha de São Paulo

29 de ago. de 2009

Darwin no SESC São Caetano


SESC São Caetano, em parceria com a Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), comemora os 200 anos do cientista Charles Darwin com ciclo de palestras, oficinas, minicursos e instalação.

Nascido em 1809, o inglês Charles Darwin revolucionou a história humana ao elaborar a Teoria da Evolução das Espécies, a partir do processo de seleção natural. A celebração dos 200 anos de seu nascimento é uma oportunidade para discutir a obra de Darwin em programação que acontece, de 14 a 19 de setembro, no SESC São Caetano e na USCS - Campus I e II.

Com atividades apoiadas em quatro eixos temáticos: Naturalismo, Evolução, Etologia e Antropologia, o colóquio, com inscrições online, apresenta “Com que óculos você quer ver o mundo?”, “De onde viemos e para onde vamos?”, “O seu caminho é com sentido?” e “Ser ou não ser, será?. Entre os palestrantes os destaques são: Prof. Dr. Carlos Rodrigues Brandão (Unicamp), Profª. Dra. Maria Isabel Pinto Ferreira Landim (Museu Zoologia - USP), Prof. Dr. Nélio Bizzo (USP) e o jornalista Marcelo Leite (Folha/SP, Editorial Ciência). A cerimônia de abertura, no dia 14/9, que acontece no Campus I da USCS, tem como tema “Darwin no contexto científico e social” com palestra do Prof. Dr. Aziz Ab’Saber (USP), com transmissão ao vivo pelo Portal SESCSP a partir das 19h.

O programa ainda conta com instalação lúdica sobre a vida e a obra de Charles Darwin e apresentação musical Os sons da evolução, com elementos (ritmos, temas e estilos interpretativos) que caracterizaram a música brasileira e como se deu sua evolução desde a segunda metade do século 19 até o início do 21, e o espetáculo After Darwin, que aborda as relações e os conflitos do então jovem naturalista Charles Darwin com o capitão Robert Fitzroy durante a histórica viagem do Beagle.


Vi AQUI.

28 de jun. de 2009

Origem e conservação da biodiversidade


Origem e conservação da biodiversidade

29 a 31 de Julho de 2009, Ribeirão Preto-SP

Visitem!

Ciência e Mídia – Capacitação em Jornalismo Científico

Parece interessante, confiram:

Com objetivo de fornecer ferramentas para a reflexão sobre os mecanismos e os processos de cobertura de temas de ciência e tecnologia em diferentes meios de comunicação – como televisão, rádio e internet, por exemplo – e aprimorar sua cobertura jornalística, será realizado o curso "Ciência e Mídia – Capacitação em jornalismo científico", em Recife, de 2 a 4 de setembro.

O curso, que é gratuito, terá 50 vagas e será voltado para jornalistas interessados em jornalismo científico, que já atuem, ou não, na área.

O programa do curso reúne palestras, mesas-redondas e atividades práticas ministradas por cerca de 20 profissionais com diversas atuações na área de divulgação científica.

Será oferecido auxílio – passagem, hotel e alimentação - para 20 jornalistas que atuem em universidades, institutos de pesquisa e meios de comunicação de massa no Nordeste, exceto Recife, local onde o curso será realizado.

O curso é uma iniciativa da Coordenação de Gestão do Conhecimento do Departamento de Ciência e Tecnologia/Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica/Museu da Vida/ Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, da Assessoria de Comunicação do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/Fiocruz e da Coordenação de Comunicação Social da Fiocruz.


SERVIÇO:
Início das inscrições: 22 de junho.


Público-alvo: jornalistas que atuem em meios de comunicação de massa,
universidades e instituições de pesquisa.


Fim das inscrições e prazo para postagem de documentação: 27 de julho
(não serão aceitos documentos com data de postagem posterior).


Formulário de inscrição:

http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=2977


Ementa e programação:

http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/ementacienciamidia.pdf


Mais informações: decit@saude.gov.br


Endereço para envio da correspondência:

Ciência e Mídia - Curso de Capacitação em Jornalismo Científico

Ministério da Saúde

Departamento de Ciência e Tecnologia

Esplanada dos Ministérios, Bloco G, 8º Andar, Sala 851

70058-900 Brasília – DF

10 de abr. de 2009

Ciência, divulgação e blogs...


Às vezes eu achava bobagem as discussões acerca de blogs e em especial de blogs de ciências. Mas não é que existe perigo mesmo?
Diários, passatempo, álbuns de fotos, portfólios, meios de comunicação com quem está longe, núcleos de interação, fóruns, fontes de informação... Que mal há nisso tudo? Por que razão haver tanta implicância e discussão sobre quem faz e por que faz... Pois é, qualquer fonte de informação pode ser útil mas também muito perigosa... Desde o boca a boca, rádio, televisão e agora internet... Todos podem ser uma faca de dois gumes... O que fazer? Censurar? Proibir? Arriscado também, talvez até mais arriscado...
A grande solução [ utópica??? ] seria todos saberem trabalhar as informações recebidas... Buscar fontes, procurar diferentes pontos de vista e por fim, construir a sua informação, não apenas com base em uma única fonte, em uma única pessoa, texto, livro, programa, site/blog.
Bom, deixo aqui duas coisas... Uma é uma discussão da qual tomei conhecimento a partir de um blog de uma amiga, onde uma pessoa que se intitula "cientista" usou de sua autoridade para falar muita bobagem e envergonhar todos os que trabalham com Ciência e que levam a sério a divulgação da mesma... O tópico que apresenta essa situação embaraçosa é este e esta a carta resposta da minha amiga. Não coloco o link do blog do tal senhor referido no texto, porque não quero ser mais uma fonte de referência dele.
A outra sugestão de leitura é de uma reportagem que saiu na Revista Pesquisa Fapesp sobre o ScienceBlogs, escrita por Marcos Pivetta, clique aqui!
Boa leitura e reflexões!

15 de mar. de 2009

Rainha Vermelha


Vocês conhecem algo sobre a Teoria da Rainha Vermelha?
Também conhecida por Hipótese da Rainha de Copas, Rainha de Copas ou corrida da Rainha de Copas, é uma teoria proposta por Leigh Van Valen em 1973. Faz referência à corrida da Rainha Vermelha, no livro "Alice através do espelho", de Lewis Carroll. A rainha diz: "It takes all the running you can do, to keep in the same place.". Ela está relacionada à situações onde duas espécies evoluem juntas ('co-evoluem'), como por exemplo em situações de competição. Existem muitos exemplos interessantes, e no blog Rainha Vermelha tem muita coisa interessante. Eu gosto especialmente do exemplo de um crustáceo, a Daphnia magna.



Achei essa semana esse vídeo do Futurama pela internet, e ele é bem didático para quem nunca viu nada sobre a Rainha Vermelha em biologia:

Ver Vídeo

Sobre a Daphnia: Decaestecker, Ellen; Gaba, Sabrina; Raeymaekers, Joost; Stoks, Robby; Van Kerckhoven, Liesbeth; Ebert, Dieter & De Meester, Luc (2007): Host-parasite Red Queen dynamics archived in pond sediment. Nature 10.1038: .


Por que os mosquitos picam?




Essa é uma matéria com a qual contribuí, falando um pouquinho sobre mosquitos... ^^

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Desvende os mistérios que se escondem por detrás da picada de um pernilongo
Data: 26/03/2008

Quantas vezes você já ficou incomodado ou perdeu o sono porque um pernilongo estava zunindo no seu ouvido? É comum nos depararmos com essa situação, principalmente durante os períodos de calor, quando dormimos com as janelas abertas e sem lençol.

Segundo Rafaela Lopes Falaschi, mestre em Ciências, com especialização em Entomologia pela USP de Ribeirão Preto, isso acontece porque após localizar o alvo, os mosquitos o rodeiam até surgir a oportunidade de pousar sobre a pele e sugar o sangue. Ela explica também que há espécies que picam apenas em situações pouco reativas, como durante o sono, por exemplo.

Mas aí provavelmente você se pergunte: como é que eles encontram sua presa? A resposta é simples: a atração ocorre devido a combinação de alguns fatores e estímulos como a presença de CO2 (liberado pela respiração), umidade e ácido lático (componente comum do suor), além da visão do próprio inseto. “Podemos chamar esses fatores com o nome genérico de ‘odores do hospedeiro’ que, com freqüência, atuam de forma combinada. Nas partes bucais e nas antenas estão presentes sensores especializados na detecção desses estímulos químicos”, explica Rafaela. Ou seja, os pernilongos são atraídos por odores e gases por nós liberados durante atividades como respirar e suar, além de ter mecanismos específicos de detecção desses cheiros e utilizar a visão para localizar a presa.

Outro dado curioso é que os mosquitos machos alimentam-se apenas de substâncias açucaradas, como o néctar das flores, orvalho e gotículas secretadas por pulgões e frutas. Já as fêmeas também se alimentam de sangue e por isso são chamadas hematófagas. A bióloga explica que o líqüido é rico em proteínas necessárias para o amadurecimento dos ovos. Assim, se for picado, com certeza terá sido por uma representante do sexo feminino da espécie em questão, uma mãe que precisa de proteínas para nutrir e desenvolver suas crias. Apesar de algumas espécies demonstrarem preferência por mamíferos de grande porte como o ser humano, elas têm outras fontes de alimento. “De acordo com o grau de agressividade das fêmeas, os mosquitos podem sugar vertebrados aquáticos e mesmo outros insetos. Outras espécies apresentam-se bem mais restritas, com apenas uma única espécie de hospedeiro”, conclui Rafaela.

Crédito da matéria: Revista IN

9 de mar. de 2009

Quem muito fala...


Hoje conversei com um amigo sobre o quão convincentes as pessoas podem ser, mesmo que estejam falando 'necas de pitibiriba'... Ele me contava uns causos de pessoas cheias de eloqüência, charme, boa projeção de voz, etecetera e tal, que se você não for sagaz o suficiente e/ou saber um tantinho do tal asunto, vai cair como um patinho no conto do vigário e falar amém para esse monte de lorota... E qual ñ é minha surpresa quando dei uma passadinha no Brontossauros no meu jardim:


"Hoje queria escrever um texto mas não estou com paciência de pesquisar algo para escrever. Vou só escrever um causo que o Prof. Mariano Amabis sempre contava em suas aulas:

'Um dia um professor virou para mim e disse: eu dei uma aula super complicada e meus alunos não entenderam nada. Eu expliquei uma segunda vez e eles continuaram entender a matéria. Eu expliquei uma terceira vez… daí eu entendi.'

Muitas vezes queremos explicar coisas sem entender direito a essência do assunto. Daí replicamos o que está escrito em livros, papagaiamos o que ouvimos falar mas sem entender o assunto só fica a enrolação. Logo, às vezes prefiro me calar ao invés de falar com falsa propriedade sobre um assunto que desconheço.

O que tem tudo a ver com outro causo, este acontecido em uma cidadezinha em Portugal. Estávamos procurando uma igreja tal que existia em nossos guias. A Carol Recife perguntou a um ancião: “Você poderia nos dizer onde fica tal igreja?” e o velhinho, expondo toda sua lógica portuguesa, respondeu: “Não posso dizer o que não sei explicar.” (Carlos Hotta)


E não é? ;)

25 de fev. de 2009

Sobre divulgar...

Segue mais um texto oriundo da mesma discussão, publicado em setembro de 2007...

"Vamos partir do que o dicionário nos diz, Divulgação é a ação de divulgar; vulgarização, propagação, difusão. Divulgar (do latim divulgare) é tornar público ou notório; publicar; propagar, difundir, vulgarizar.

O Ib,o síntese é um veículo de divulgação. Através dele, nós, alunos e ex-alunos do IB, colocamos nossas idéias , opiniões , interesses , propagandas, atividades e as mais diversas informações .Compartilhamos.

Mas devemos nos restringir a esse espaço? Ao Instituto de Biociências de Botucatu? E o que tem fora do IB? E as pessoas que não se encontram dentro das dependências físicas ou intelectuais da nossa Universidade? Devem compartilhar conosco? E nós devemos compartilhar com eles? Se sim, o quê compartilhar?

Aqui é o nosso primeiro passo. Já foi o meu, sete anos atrás. E continuo fazendo dele um meio para divulgar minhas idéias, experiências e vivências. E através dele também posso repensar as mesmas, acrescentar pontos e talvez, quem sabe, mudar algumas percepções.

Antes de divulgar idéias e qualquer tipo de conhecimento devemos pensar o debate. Debate, que é troca de idéias em que se alegam razões pró ou contra, com vistas a uma conclusão. Não é mudar a idéia/opinão dos outros, é trocar informações a fim de que possamos construir nossas próprias opiniões e idéias, ou apenas confirmá-las ou até mesmo mudá-las. O debate enriquece o nosso conhecimento e nossa argumentação. Ele não é uma disputa a ser vencida. Ele não é o meio para se chegar ao que é certo e errado.

Voltaire parecia esta oferecendo as armas quando dizia "defina bem seus termos antes da discussão”. Disse-me um amigo no dia em que escrevia esse texto. E não é? Em algumas das discussões decorridas nesse jornal, notei que infelizmente por conta de problemas com definições de termos (além de parco conhecimento de regras básicas de escrita) as discussões se perderam e ao invés de esclarecer pontos aos leitores, trouxe mais turbidez ao que já é turvo.

O Português do Brasil já difícil desde sua gênese e história. O que requer mais ainda de nós quando vamos escrever, divulgar idéias através do papel. Quanta confusão não traz um termo mal definido, um verbo mal conjugado, uma vírgula mal colocada, uma preposição trocada por uma conjunção e assim por diante? São coisas 'pequenas', mas que devem ser atentadas no momento de compartilhar os saberes, seja com pessoas do nosso círculo e ainda mais, quando vamos divulgar à diversidade de pessoas que compõem a sociedade.

Divulgar para quê e para quem? Acho um questionamento importante para nos fazermos. Divulgar o quê? Ciência? Mas primeiro, o que é Ciência?

Acho um interessante ponto de partida, para todos nós. Primeiro, segundo, terceiro, quarto ano. Mestrado, doutorado, docentes... Não importa o grau de formação. Iniciar discussões e debates num espaço aberto e livre como este é um começo importante. Onde vai parar? Não sei... Espero que longe, bem longe... E que cada vez mais envolva mais pessoas e mais questionamentos, com ou sem respostas prontas e finais."

Os muros, o povo e os funcionários do povo

O texto que segue foi escrito por mim em março de 2007. Ele é fruto de uma série de discussões que foram publicadas no "IB, o Síntese", jornal editado pelos alunos da biologia do CAVJ (Centro Acadêmico V de Junho), do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu, onde eu me graduei em Biologia.
Talvez ele faça mais sentido dentro do contexto de toda a discussão, mas o cerne de tudo é haver espaço para discussão, divulgação de conhecimento e embasamento antes se afirmar qualquer coisa. Aí segue a minha pequena contribuição...

"Eu estudo 'pintos' de mosquitos neotropicais e um famoso órgão de fomento financia meu projeto. É um projeto importante dentro de um contexto mais amplo nas Ciências Zoológicas e Ambientais. Com resultados a longo prazo. Mas ele também não atravessa os tais muros. Discordo que a minha pesquisa é desligada do interesse social. Mas quem faz a pesquisa, NÓS biólogos, cientistas é que somos desligados do interesse social, somos NÓS que construímos esse muro, que não é de concreto e sim de (estúpidas) idéias, somos NÓS que não sabemos o que é Ciência e, portanto não cumprimos o nosso maior dever, divulgar o conhecimento científico.

“Ciência é ciência”. Isso me deixou triste. Ver que saímos da Universidade sem conseguir conceituar o que é Ciência. Ciência não é ciência. Precisamos antes de qualquer coisa, antes de nos enfiarmos num laboratório e começar a fazer "pesquisa" em Ciências, adotar uma definição de Ciência. Para isso precisamos ler, ler, ler bastante. Conhecer epistemologia, filosofia e história da ciência. Sim, aquelas matérias sem importância, que a gente assina a lista e sai para ir ao laboratório fazer a tal da "pesquisa".

Não é preciso fazer ou refazer o curso de Ciências Biológicas para acreditar que "o conhecimento científico por si só é de interesse público". Isso meu priminho sabe. O conhecimento, qualquer que seja é de interesse público. Mas se todos que não sabem o que é Divulgação Científica tiverem que refazer seus cursos... Ah, vai ser uma bagunça...

Pois é. Mesmo as nossas pesquisas tendo resultados a longo prazo (eu sequer sei se estarei viva para ver os primeiros resultados da minha), a nossa obrigação, o nosso retorno tem que ser imediato. E é aí que entra a tal da Divulgação da Ciência, que todo e qualquer biólogo tem a obrigação de fazer e fazer bem feito. Seja em que alcance for. Mas fazer com seriedade e compromisso. Os licenciandos e licenciados sabem, ou deveriam saber, com mais clareza e embasamento o significado disso. E alertar o quão

deficiente é a nossa divulgação da ciência, principalmente a qualidade dela.

Falta leitura. Falta saber BIOLOGIA aos biólogos. Falta ser biólogo. Falta humanidade. Falta muito...

A Universidade é um laboratório da ciência. Mas nós, os pesquisadores, é que não trabalhamos a serviço do povo. Somos péssimos funcionários. Uma elite fajuta. Com uma inércia vergonhosa e uma soberba triste."


A discussão se iniciou a partir dessa composição feitas por dois alunos da biologia... Não importando se o resultado agradaria ou não, o importante é que foi gerada discussão e reflexão, infelizmente algumas pessoas ainda crêem que em discussões há quem ganhe e quem perca, sendo sempre uma batalha, quando na verdade deveriam todos ganhar, uma vez que não existem verdades absolutas e toda e qualquer forma de conhecimento e forma de pensar enriquece a nossa mente e constrói o mundo que nos cerca...