Mostrando postagens com marcador Pessoas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pessoas. Mostrar todas as postagens

21 de set. de 2010

Londres-Paris-Brasil

Londres... Assim como Paris muita expectativa em cima de uma cidade.  Tudo bem que foram sete dias, e sete dias corridíssimos, mas a sensação inicial foi parecida como a de quando cheguei em Paris. É uma cidade normal, bagunçada, trânsito infernal, pedintes aos montes, pessoas correndo para lá e para cá e para ajudar chegamos lá num dia de greve... CAOS!

Sou da Grande São Paulo (Osasco), mas mesmo assim (ou talvez por isso mesmo) detesto cidades grandes (pelo menos para morar). Nesse ponto Paris me agradou e hoje agrada muito mais (após 3 meses e da “Paris desmitificada”, gosto muito daqui). Londres me lembrou muito SP! Cinza, caótica, apressada... Uma cidade que funciona 24h por dia... Bem diferente de Paris, que começa a acordar às 9h e vai dormir 23h... Que respeita férias e feriados! Hehehe Mas para quem ama cidades grandes, Londres é o paraíso... E ainda mantém os patrimônios históricos (o que infelizmente não há no Brasil como aqui) e você também tropeça em museus... E melhor: gratuitos!

Houve dois pontos em Londres que me agradaram muito: os museus e os famosos “pubs”. Os museus são fantásticos. Impossível fazer jus aos mesmos apenas descrevendo-os ou mostrando fotos. Sou difícil de me impressionar e ficar deslumbrada na maioria das vezes, mas quando entrei no Natural History Museum me senti uma verdadeira criança diante do presente dos sonhos... Não tem como descrever. Talvez o meu “embasbacamento” tenha sido maior por eu ser bióloga e ainda uma fissurada em dinossauros, mas mesmo assim o museu deslumbra. E não bastando a exposição fazer isso o meu local de trabalho lá por uma semana, também me deixou com o queixo no chão. Excelente!  Não sei se ainda entro em algum museu e fico assim... Digo que após todo o estresse de chegar em Londres foi compensado por conhecer o museu e provar o famoso “fish and chips” (filé de peixe frito acompanhado de batata frita, molho tártaro e purê de ervilhas) – isso porque eu nem sou a maior fã de peixe.

Sim, houve um enorme estresse para entrar em Londres.  Chegamos bem antes do pedido na estação de trem aqui em Paris, mas assim que chegamos na “mocinha” da imigração inglesa foi absurdo o estresse que ela causou. Não vale a pena me prolongar com a encheção de s***o que ela nos causou, mas realmente eles implicam com brasileiros, especialmente mulheres.  E não importa se você tem TODOS e mais alguns documentos para justificar sua ida lá e comprovar que você não pretende ficar lá. Resumindo: ela nos liberou faltando um minuto para o trem sair (o qual é de pontualidade britânica!), não havia sinalização de qual era o nosso vagão e graças ao franceses gentis (realmente Inglaterra e França é como Brasil e Argentina, mas pior!) nós entramos nos vagões iniciais antes do trem partir e nos dirigimos para o nosso vagão por dentro do trem. A partir desse dia peguei birra dos ingleses e me tornei francesa desde criancinha! Hahaha Brincadeira... Na verdade nem tão brincadeira assim... Precisei de uns dias para conhecer uns ingleses legais para deixar de ser tão inflexível. ^^ Mas o pessoal do museu foi muito gente boa e na cidade como um todo também. Mas eles não gostam de franceses mesmo!!! J


Ah, sem querer, no domingo, vimos a famosa “Troca da Guarda”. Nossa, que negócio mais londrino! De fato, o estereótipo de Londres não é só estereótipo. Os londrinos são bem londrinos. E não tem como não lembrarmos vááárias vezes do Monty Python lá. É mesmo o reflexo do humor londrino! J

E para não abandonar a França, por acaso (nem tão por acaso assim, uma vez que a escolha do albergue foi um muito próximo do museu) ficamos num bairro “francês” em Londres. Só não foi tão legal porque o albergue era muito ruim. Atendentes grossos e mal educados, vizinhos barulhentos e bedbugs (são hemípteros, para quem não conhecem podemos dizer que são “mini” parentes dos Barbeiros, difíceis de ver, que picam durante a noite e as feridas aparecem só depois de alguns dias... E coçam muito) nas camas.

Foi muito bom retornar para a França! Foi como chegar em casa! Foi engraçado.

Chegando a Paris agora, as últimas arrumações no museu, uma sensação esquisita de ansiedade por voltar e já de saudades daqui. Aprendi a gostar daqui.

No hotel (saímos do nosso Studio e estamos passando os últimos dias aqui num hotel familiar) conhecemos duas brasileiras, a Malu e a Morgana, que vieram de Londres no mesmo trem que nós e só conhecemos dois dias depois no hotel!!!  Saímos para ver a torre Eiffel iluminada, conversar e tomar um chocolate quente/cerveja num restaurante espanhol perto do hotel.  Elas estão fazendo um mochilão e fizeram um blog (http://moremalumochilandoeurotrip2010.blogspot.com/) onde contam as experiências ao redor da Europa! Foi um encontro muito divertido!

Nesse fim de semana foram os últimos passeios, coisas simples para dizer tchau à Paris. Andamos de barquinho no Sena, comemos baguete, fotografamos (de novo) o fim de tarde no Louvre... Tem horas que bate a ansiedade de ver a família e os amigos... Mas também tem horas que bate a vontade de ficar aqui só “mais um pouquinho”... J

Hoje encontrei dois brasileiros, um casal de Blumenau, Santa Catarina, e ajudei os dois a pedirem o café da manhã deles. Aí eles me confidenciaram que estão bastante decepcionados com Paris... A cidade é suja, o metrô fede e é velho, há pedintes aos montes, no geral os franceses são estúpidos e eles estão em Montmartre, que não é um bairro tão tranqüilo para se morar... Muitos imigrantes, muitos pedintes e muitos turistas (é o bairro da Sacre-Coeur, do Moulin Rouge, da Amelie Poulain e das lojinhas de souvenirs mais em conta). Aí conversei um tantinho com eles, sugeri uns passeios que os turistas de uma semana geralmente não fazem e falei que tinha a mesma impressão daqui no começo... Conversamos um tanto, foi legal. Aí, já atrasada para chegar ao museu me despedi deles (com abraços! A quanto tempo isso não acontecia! Aqui na França quanto muito dois beijinhos – o abraço é muito contato! -  e em Londres as mãos e olhe lá! J) e eles me agradeceram por essa “nova perspectiva de Paris”. Acho que Paris me deve uma! Hehehe J

Bom, acho que as próximas novas serão aí pelo Brasil mesmo. Hoje Paris tem um belo céu azul, colorindo um dia ensolarado e de clima ameno. E que venha o céu cinza de Osasco e o calor de Ribeirão! J

Beijos e saudades!

11 de ago. de 2010

Ser feliz ou estar feliz? Eis a questão... :P

    O texto abaixo foi extraído da Revista Galileu. Sim, tem bem um estilo auto-ajuda, mas acho que o sucesso dos livros e programas de auto-ajuda tem um significado. E o próprio texto abaixo explica um pouco do que eu creio ser esse significado.
    Fiz tudo o que fiz até hoje (amizades, escolha da profissão, decisões...) para ser feliz. Cresci num ambiente feliz, com pais maravilhosos que me ensinaram que não importa quantos e quais problemas batam à sua porta, enfrente os mesmos sempre com um sorriso na boca (por mais dolorido que seja) e logo tudo estará bem de novo. E ao longo dos meus 27 anos tem funcionado bem, e olha que os problemas têm batido constantemente à nossa porta.
     Mas também encontrei por aí, fortuitamente (afinal, todos, mesmo a quem achamos indesejáveis, tem um papel importante em nossas vidas), pessoas amargas que por vezes argumentaram sobre a inexistência de Felicidade, a qual seria apenas mais um verbete, sinônimo de alegria, afinal, a vida é tão difícil...
    E é para alguns desses pobres sofredores (alguns, pois alguns desses se recusam à qualquer ajuda, seja de livros, amigos, psicólogos... pois eles têm a triste verdade da vida dentro de si) que se recusam a ao menos tentar olhar às suas próprias vidas por outros viés. E por isso mesmo, muitos deles olham para a vida do colega ao lado, não para a sua, pois como nos reality-shows televisivos recordistas de audiência, é muito mais simples e divertido opinar, decidir e direcionar a vida alheia. E pasmem, muitos desses pobres sofredores odeiam reality-shows! Curioso, não?
    Felicidade é estado de espírito. E independente de qualquer crença (faço parte de um meio repleto de ateus e também de teístas), se vamos para um outro local ou se apenas vamos terminar como parte do ciclo do carbono, por que viver uma vida miserável? Sim, não há felicidade plena. Todos os dias os jornais barbarizam com notícias terríveis, tropeçamos em pessoas dormindo nas ruas, pedindo comida, dinheiro, vemos pessoas se agredindo gratuitamente, se ofendendo, trapaceando... Mas se é assim, vamos fazer o quê? Aceitarmos a condição miserável do ser humano e esperar pelo céu ou pelo ciclo do carbono?
     Se temos todas essas "miseralidades" temos a panacéia disso tudo dentro de nós mesmos. Do mesmo modo que posso interpretar um livro diferentemente de você, interpreto a vida também. Vejo a felicidade como estado de espírito e procuro estar feliz sempre que possível para ser uma pessoa feliz, e sou! :D Sou feliz, constantemente, pelos meus pais, pelo país que nasci, pelo irmão que tenho... Sou feliz por coisas que sempre serão o que são. E estou feliz hoje porque comi melancia, porque vi um beija-flor numa flor roxa...
     Simples não? Eu acho simples. Mas nem tudo que é óbvio para mim é para você, certo?
***


Felicidade: construa a sua
JULIANA TIRABOSCHI
Um objetivo a cada vez
Simplicidade, foco e maturidade são fundamentais para quem quer encontrar sua fórmula de bem-estar
Simplificar a vida e definir o que é importante para você. Eis a última etapa da nossa busca pela felicidade. Avalie: você precisa mesmo daquele celular de última geração? Se achar que sim, vá em frente. Mas pense se não vale mais a pena investir o dinheiro em uma viagem, por exemplo. Segundo Tal Ben-Shahar, Ph.D. em psicologia e filosofia e professor de psicologia positiva na Universidade de Harvard (EUA), pesquisas mostram que uma vez que nossas necessidades básicas estejam supridas - alimento, abrigo e educação, por exemplo -, renda extra ou prestígio fazem pouca diferença.
Uma prova viva disso é Mitch Dorge, outro entrevistado pela psicóloga Sonja Lyubomirsky e ex-percussionista da banda canadense Crash Test Dummies, que atingiu relativo sucesso mundial no começo dos anos 1990 com o hit "Mmm Mmm Mmm Mmm". Na época, o músico concorreu ao prêmio Grammy, participou de programas como o "Saturday Night Live" e viajou pelo mundo. Mas as coisas começaram a dar errado. Ele saiu da banda, perdeu sua mansão e rompeu com a mulher. Hoje, vive próximo a Winnipeg (Canadá), em uma região pouco habitada e gelada, em companhia dos dois filhos pequenos. Em paz e envolvido com sua música. "Já tive dinheiro e fama. Agora não os tenho, mas meu nível de felicidade é o mesmo. Não há nenhuma diferença", diz Neil. Esse estilo de vida não funcionaria para todo mundo, obviamente. Mas o importante aqui é que o músico encontrou seu foco.
Às vezes, a promessa de ganhar um bom dinheiro motiva mudanças radicais. Esse é o caso de centenas de jovens jogadores de futebol que vão trabalhar em outros países. Em troca de um bom (às vezes milionário) salário, enfrentam obstáculos como idioma, comida, clima e diferenças culturais. Mas muitos não estão preparados. De acordo com o livro "Futebol Exportação" (Editora Senac-Rio), dos jornalistas Fernando Duarte e Claudia Silva Jacobs, dos 804 boleiros que em 2005 deixaram o Brasil, mais da metade retornou: 491.
Mania de acumular
Muitos ainda não têm a maturidade para adaptar-se a uma situação adversa, fator determinante no percurso rumo à satisfação, segundo os psicólogos. Esse foi o caso do jogador Denílson de Oliveira, atualmente no Palmeiras. Em 1998, com quase 21 anos e destacando-se no futebol brasileiro, o atacante foi comprado pelo time espanhol Real Bétis, tornando-se o jogador mais caro do mundo. "Era impossível recusar, mas se o contrato fosse assinado hoje eu teria reagido de outra maneira. A pressão para ser o melhor do mundo pesou muito", afirmou em entrevista aos autores do livro. Até seu jeito espontâneo atrapalhou a convivência em outra cultura. "Ser alegre me prejudicou. Você sorri e não te levam a sério", afirma Denílson.
Então por que ainda acreditamos que ter mais bens ou status vai nos trazer felicidade? Sob uma abordagem evolucionária, pode ser que nosso passado distante determine nosso comportamento atual. "Quando éramos coletores caçadores, o estoque de riquezas - comida, principalmente - determinava se iríamos sobreviver à próxima seca ou inverno rigoroso", afirma Tal Ben-Shahar. Estocar tornou-se parte de nossa existência, mas hoje acumulamos muito mais do que realmente precisamos.
Isso não significa que você não deve se preocupar com dinheiro ou trabalho. Afinal, a realização profissional também pode ser uma fonte de satisfação. Principalmente se você estiver envolvido com um trabalho que traga um senso de valor e pertencimento, cujos esforços resultem em efeitos palpáveis. "Isso vale tanto para a atividade de um médico quanto para a de um varredor de rua", diz o psiquiatra Hermano Tavares. Afinal, ambas as ocupações trazem um benefício para a sociedade.
A chave neste ponto é descobrir o que move você. Gretchen Rubin, a advogada do "Projeto Felicidade", dá seu palpite. "Quando me pedem conselhos de carreira, eu pergunto: 'O que você faz no seu tempo livre?' Sugiro que transformem isso em trabalho". Para Gretchen, pode ser difícil descobrir sua paixão, mas é fácil se lembrar do que você curtiu fazer nos últimos domingos. Ela mesma deixou um emprego bem-sucedido na Suprema Corte americana para se dedicar em tempo integral ao hobby de escrever. Alguém dúvida que Bill Gates, fundador da Microsoft, acertou em cheio quando transformou sua paixão por informática em trabalho?

5 de ago. de 2010

À plus!

E não é que hoje o dia começou surpreendente? Cheiro de sabonete no primeiro piso do metrô, cheiro de croissant quentinho no segundo piso, francês perfumado do meu lado e chego ao museu, hoje foi dia de limpeza!!! Cheguei mais tarde, mas com o feliz odor de lavanda por todos os corredores e os lixos que transbordavam vazios! Mas ainda são 11h55m da manhã, hehehe...

Desde o último e-mail, há muito para ser contado... Mega mercadão de Paris (no qual eu esqueci a máquina em casa e a da Pri estava sem bateria), Jardin du Luxembourg,  Panthéon de Paris, Tour de France, restaurante chinês/vietnamita, église de la Madeleine, subida ao Arc de Triomphe, Petit Palais, Grand Palais, restaurante tailandês, Hôtel de Ville, jantar no Les Halles, Musée des Arts et metiers (com a exposição temporária “Museo Games”), praia de Paris (Paris plage), jardin des Tuileries , Place de la Concorde e finalmente musée du Louvre!
Jardin du Luxembourg

Geralmente nosso planos de passeio não dão certo. Num sábado que iríamos ao Jardin du Luxembourg estávamos sem máquinas fotográficas e decidimos mudar o percurso, fazer um passeio menos “vistoso”. Fomos em uma outra galeria ao lado de um mercado super grande e com tudo que se pode imaginar, de frutas, legumes, peixes, especiarias, doces etc... Muito divertido. Ver a fruta da groselha! rs Só falta querer provar (eu não gosto de groselha!). Foi um dia tranquilho. Andamos pouco, chegamos cedo em casa, nada demais. Domingo, enfim, fomos ao Jardin du Luxembourg almoçar no gramado. Lugar lindo! Cheio de flores, gramado, pessoas lendo, dormindo, comendo, brincando, pensando... O castelo é lindo e enorme. Aliás, vale o adendo: já chegou o momento que está ficando difícil se surpreender com a arquitetura daqui, afinal tudo é grandioso e elaborado e antigo. O que antes era “que maravilhoso!” agora é “bonito também”. Mas o que não desmerece a arquitetura esplêndida dos antigos prédios daqui. 
Panthéon

E nesse mesmo dia, tropeçamos no  Panthéon de Paris, impressionante (também) de estilo neoclássico com várias celebridades sepultadas lá, como por exemplo Victor Hugo, Marie e Pierre Curie, Jean Jacques-Rousseau, Voltaire e Émile Zola.  Do ladinho temos a igreja de Saint-Étienne-du-Mont, a biblioteca de Santa Genoveva, a Universidade de Paris-I (Panthéon-Sorbonne, de Direito) e  a prefeitura do 5.º arrondissement. Todos prédios muito bonitos. Em seguida fomos até a Champs-Élysées fomos assistir o Tour de France (é uma competição ciclística dividida em várias, que acontece sempre em julho, representando uma volta por toda a França e que termina nessa avenida de Paris). Lotado também bem difícil de ver, mas com esforço assistimos um pouco. Eu acho particularmente bem chato assistir corridas, mas já que estávamos aqui, momento turista, certo? Depois de um pouco de corrida, voltamos para o Jardin du LuxembourgI para assistir à um concerto ao ar livre, Chopin. Muito bom, todos sentados, deitados na grama, silenciosos, apreciando a música. Perfeito! Bem melhor que um monte de moços dando voltas de bicicleta, hahahaha.

No mesmo dia, após o concerto, fomos convidadas para jantar com a moça que nos alugou o apartamento. E cuidado: aqui em Paris quem convida paga! Ela nunca nos deixa pagar nada quando saímos à convite dela... E não tem discussão. Quem é daqui nem se mexe, já sabe que é assim que funciona, hehehe. Mas enfim, era para ser um restaurante vietnamita, mas os donos estão de férias. Sim, aqui as pessoas saem mesmo de férias (é sagrado!) e fecham seus estabelecimentos. Ele re-abre hoje, talvez iremos lá. Mas então, fomos à outro restaurante, este chinês e  vietnamita misturados. Comida boa, dono engraçado e simpático, mas até as comidas não francesas são bem menos saborosas que as nossas! Sem sal! Mas valeu a pena. E conhecemos um quase “vrai français” (verdadeiro francês), porque ele nasceu nos EUA. A Ana queria que praticássemos francês com alguém fluente, afinal ela é mexicana. Muito simpático ele e muito viajado... Conhece bem dos problemas do povo francês e das diferenças entre vários povos. Talvez por isso bem simpático. Observei que todas as pessoas “vrai sympa” conosco não são “vrai française”. São imigrantes ou franceses filhos de imigrantes, ou do leste europeu, África, Ásia e América Latina.

Num outro dia, agora durante a semana, de noite (noite mas lembrem-se com o Sol “a pino”) planejamos ir num concerto  na église de la Madeleine, onde tocariam Vivaldi. A princípio seria gratuito, chegando lá, para estudantes, 20 euros!!! Não rolou, hehehe. Saímos andando por aí... Descobrimos a não menos bonita Église Saint Augustin e passeamos no Parc Monceau, um parque muito muito agradável. Amei! Muito bonito, arborizado, muitas flores... Um ambiente fantástico. Ficamos pouco, afinal TUDO fecha cedo em Paris (apesar de abrir tarde). E andamos mais um pouco e caímos no Arc de Triomphe! Bom, uma vez lá, por que não subir? Porque são 284 degraus? Sim, seria um excelente motivo, mas turista não pensa! hehehe Mas valeu muito a pena! Além da brisa (porque às vezes eu acho que Paris é Ribeirão Preto, calor terrível!) a vista é impressionante! Paris é muito pequena! E muito organizada estruturalmente. Ver as ruas e avenidas lá do alto confirma bem isso. E haja brasileiros pelo mundo! Não tem UM dia que não esbarramos ou escutamos a nossa última flor do Lácio, inculta e bela por aqui. Somos muitos mundo afora!

Na quinta, planejamos ir ver a exposição do estilista francês Yves Saint Laurent no Petit Palais. Adivinhem? Não deu certo! A exposição foi encerrada mais cedo aquele dia, hahaha. A Pri ficou desolada! Eu conheci o  Petit Palais, Grand Palais. O primeiro é um edifício histórico e museu de belas artes construído para a Exposição Universal de 1900, assim como o Grand Palais des Beaux-Arts, e fazendo parte desse conjunto arquitetônico, um pouco à frente temos a Pont Alexandre III, que atravessa o rio Sena. Ela é linda (também!), toda decorada com querubins, ninfas e cavalos alados e outros personagens que eu não sei identificar. Parece que o nome é em homenagem ao czar russo Alexandre III, devido à aliança franco-russa. A ponte nos leva ao L'Hôtel national des Invalides, construída por Luís XIV para abrigar os mutilados de guerra dos seus exércitos. Ainda se presta a isso atualmente, além de compreender alguns museus e prédios militares. Também estava fechado! J Então, para (tentar) compensar o dia difícil, fomos jantar num restaurante tailandês, esperando uma comida diferente e saborosa! Mas... Tudo muito bem feito, limpo, agradável e sem sal! hahaha...

Também ainda nessa mesma semana de planos não completados com sucesso, saímos andando ao sabor das ondas... Fomos até o Hôtel de Ville, onde ficam instituições do governo municipal. Ele é situado na Place de l'Hôtel-de-Ville (antes chamada de Place de Grève, por que será hein? J Apesar de ser um local marcado por diversas manifestações, diz-se que o nome tem a ver com cascalho, gravier em francês...). E o que tinha lá? Show de rap francês! Péssimo como em qualquer lugar (observação: eu não gosto de rap, para quem gosta, perdoem-me J). Já era tardeeee e passamos no que há de mais parecido com um shopping aqui, o Forum des Halles, rodeado pelo Jardin des Halles. Lá comemos pasta in Box! Isso mesmo, macarrão italiano servido igual aos macarrões das redes de fast-food chinesas.Muito bom, bonito, barato e sem sal! hehehe Não tem jeito!

Neste último sábado até que os planos se realizaram! Fomos ao Musée des Arts et metiers ver especiamente a exposição temporária “Museo Games”. Muito bom! O museu pertence ao Conservatoire national des arts et métiers e tem uma exposição permanente muito bem aproveitada, em termos de organização, interação e transmissão do conhecimento. E a exposição temporária, sobre a “evolução do Games” é divertidíssima, até para quem não é amante dos vídeo games, eu! Simples, pequena, informativa (não tanto quanto a permanente), interativa e muito divertida. Para todas as idades. Já a exposição permanente é um capítulo à parte. Conta a história de diversos ofícios, materiais, pesquisas... Vidro, energia elétrica, automóveis, computadores, tecelagem, comunicações, arquitetura, relógios... E mais uma infinidade... O prédio é lindíssimo, sem ar de “coisa velha” apesar de todas as antiguidades. Para mim, um exemplo de como é uma boa exposição museológica. Ela, se não atinge todos, atinge quase todos os objetivos de uma exposição. Foi muito bom ter ido lá antes para traçar um paralelo com o Louvre.

Após à visita, fomos almoçar na grama do museu e depois saímos caminhando... Chegamos a tão famosa praia de Paris(Paris plage), que está em todos os noticiários, pelo menos nos brasileiros, hehehe. Que divertido! Pessoas tomando sol em caixinha de areia em frente ao Sena, decorado com pequenos e sofridas palmeiras. Corredor com leves jatos de água para os transeuntes se refrescarem em quanto caminham (e refresca mesmo! J), música ao vivo embaixo da Pont Neuf (ou Ponte Nova, que por sinal é a mais antiga de Paris, J), quiosques, bebedouros e dança de salão ao vivo!!!! As aulas são gratuitas de segunda a sexta e sábado e domingo tem bailinho. Bailinho mesmo, com cadeiras para você sentar e ser chamado para dançar! Tem professores de dança junto e uma moça que toca acordeón. Até agora uma das melhores coisas de Paris! As pessoas sorrindo, de todas as idades, gêneros, nacionalidades, casais, famílias, se divertindo, sem esbravejamento, sem “à merd” o tempo todo, se ajudando, sendo apenas felizes por aquele momento! Coisa cada vez mais rara de se ver! Foi, além de divertido, muito bonito. Foram 3 horas muito bem aproveitadas! Pena que é só em julho... Faria muito bem ao mundo momentos como este diariamente! J

Depois que acabou fomos andando até o jardin des Tuileries para eu conhecer a Place de la Concorde, mais uma vez, tudo muito bonito!!!  A praça famosa, com as belas Fontaine des Mers e a Fontaine des Fleuves (fonte dos mares e fontes dos rios), é cheia de acontecimentos históricos, nem todos tão bonitos assim... Ver o Obelisco, que eu não sabia que havia sido presente de um vice-rei do Egito, Méhémet Ali.  E na verdade foram dois obeliscos de Luxor. O segundo foi devolvido. Como agradecimento (eu acho ou por diplomacia política) a França deu um relógio, o qual nunca funcionou... O sábado foi muito bom! Inclusive pela nossa singela mas saborosa refeição noturna: bruchettas  de alho poró! A Pri fez e ficaram ótimas, a melhor refeição em Paris até hoje!

E domingo... Finalmente o afamado musée du Louvre! Fica no Palácio do Louvre e abriga as famosas obras: Mona Lisa, a Vitória de Samotrácia, o Escriba Sentado, a Vénus de Milo, a Taça ática, o Retrato de Luís XIV, A Liberdade guiando o Povo, Psiquê revivida pelo beijo de Eros... E mais montes e montes de coisas bonitas. Digo coisas não desmerecendo o valor de cada obra. Cada uma traz consigo quilos de história, conhecimentos distintos e riquíssimos de cultura, hábitos, tendências, comportamento... Mas da maneira que estão alocadas no museu muitas dessas riquezas passam apenas a aparentarem ser coisas bonitas ou coisas muito bonitas. O Louvre é um palácio cheio de história (só o prédio já tem sua própria história que é muito interessante), esplendoroso (de novo!) mas que (ao meu olhar) passa a ser um “grande e belo depósito de maravilhas do mundo todo”. Ele é organizado, mas uma organização mais com ares de decoração do que com características de “contar história(s)”. É realmente tudo muito, muito, muito (coloquem muitos muito) bonito. Mas se você não sabe história, vai entrar lá, mergulhar numa atmosfera de “túnel do tempo”, se encantar com muitos objetos e obras belíssimas e sair sem saber muito mais do que já sabia. Falta interação, informação disponível (dioramas, cartazes... As etiquetas – quase todas apenas em francês – além do nome da obra trazem a informação de a obra pertence ao Louvre e nada mais), ou seja, uma organização museológica que dê algum objetivo à exposição que não aquela antiga assertiva atribuída aos museus “um local depositário de coisas velhas”. Na verdade, para mim, o Louvre ainda mantém o caráter hegemônico dos museus dos séculos XV e XVI predominantemente, mas que se estendeu até o século XIX. Assim os museus eram locais que não apenas acolhiam às artes e história, mas sim eram “objetos” utilizados para demonstrar o poder e a abrangência de suas nações através das riquezas de suas coleções, grande parte delas oriundas de conquistas e presentes de nações amigas, “menores”. É só uma impressão. Pode ser que visto o tamanho do museu e do acervo seja bem difícil repensar a exposição. Mas com um aporte de aproximadamente 9 milhões de visitantes por ano, não acho que seja impossível nem dispensável.

Mas sim, é bonito e vale muito a pena ser visitado, não é à toa que é um dos mais famosos museus do mundo. Mas a Mona Lisa... Que coisa mais sem graça! J

Bom, é isso.

À plus!



23 de jul. de 2010

Bonjour Brésil!


Bom, essa semana completamos um mês aqui! Mês com semanas longas, semanas curtas...Tudo de acordo com uma série de variáveis... Aquela velha história “nossa, como o mês passou rápido!”, “já estamos em agosto, o ano acabou!”, e outras frases similares... Na verdade não é o “tempo que passa rápido”, mas sim para o que e como damos atenção para cada dia de nossas vidas...

Por exemplo, em dias que a saudade daí bate bem forte, como os dias rendem... Passam bem lento... A semana parece um mês, e ainda só passou um mês... Mas quando você está no museu desesperada com as milhares de caixas de mosquito que ainda tem que ver, os dias voam e  passou um mês! Pois é... Loucuras nossas, seres humanos, que quiserem ter a noção de Tempo! J

Mas tem sido assim, as semanas bem comuns, metrô, trabalho, baguete (ou qualquer outro tipo de pão no almoço), trabalho, mêtro, casa (e alguma aventura no jantar como você podem observar nas fotos), internet (e-mail, skype, msn para família, trabalho, amigos, museus e outros...)... De vez em quando até rola uma TV pela internet! Pois é, mesmo reclamando sempre, bate uma saudade até de ouvir o barulhinho da TV daí de vez em quando... As pequenas coisas da vida... hahahaha

Aliás, reclamar! Vocês acreditam que reclamamos até em Paris? É, reclamar é outra coisa inerente da condição humana.  Acho que na maioria das vezes nós (e incluo todos nós) reclamamos mais por reclamar, virou hábito... Uns mais outros menos... Às vezes me pego reclamando e vejo como é chato e sem propósito (na maioria das vezes!). E aí vem outra contradição... Não reclamamos dos ônibus em Ribeirão, não reclamamos dos políticos em que votamos e não cumpriram o que prometeram (quando lembramos em quem votamos), não reclamamos dos péssimos professores das nossas escolas e universidades... Reclamamos muito e reclamamos nada.

Vou tentar ‘reclamar’ pouco hoje e clamar algumas belezas e peculiaridades de Paris... Como simples observadora, sem reclamações! Hehehe

As semanas, como já disse, são uma rotina. Afinal, subir pouco mais de 100 degraus só para chegar à nossa casa cansa (sem contar todas as escadas dos metrôs!). Mas tentamos nos fins de semana ir além do nosso trivial semanal.

Da última vez fomos conhecer as grandes galerias. Nada parecido com os nossos shoppings. São grandes prédios (mais de um, divididos por setores: perfumaria, roupas, casa...), de vários andares, com espécies de stands de grandes marcas tudojuntomisturado! Sim, imaginem eu, no meio de tanta roupa e acessórios! Perdida! Mas com a companhia da minha acessora de moda, Priscila Okano, sobrevivi e me diverti bastante. Vimos e pegamos naquelas roupas (simples, nada de vestidos de gala ou ternos italianos) de 500, 600, 700 euros (elas existem, tem um bom acabamento, mas são roupas normais ora!), bolsas às vezes mais caras que as jóias da Tiffany  (exceto por alguma coisa lá que custava 13,000 euros, nem lembro o que era...). Todas as pops e grandes marcas lá, como se fosse um feirão... E pessoas de todos os tipos fazendo compras...  Algo muito legal... A pessoa vai lá, gasta 5000 euros numa comprinha e você nem faz idéia, pois ela não ostenta... Ainda mais eu, que não sei ver se é uma bolsa Chanel, um sapato não sei o quê e etc nem percebia... Só a Pri ia me dando as dicas... Comprar para si e não para os outros! Mantendo a personalidade! É assim que é legal! J

As galerias foram as Printemps e a Lafayette. Achei a Lafayette mais legal. Além de que o prédio é lindo! Não se era permitido tirar fotos, mas tiramos. Maravilhoso por dentro, valeu a pena só de entrar. Depois fomos conhecer uma loja de departamentos daqui... Aí sim, roupas de 5, 10, 20 euros... Muito mais acessível!!!! Hahahaha

Ah, nesse dia pegamos um ônibus para ver como é que é. Bem mais agradável que o metrô, mas trajetos bem mais restritos... Só para passear mesmo... Depois de todas essas lojas (foi um dia da Moda!) continuamos a andar, andar, andar... E chegamos ao Louvre! Ainda não entrei lá, mas nem precisa... Só o espaço aberto já um desbunde. Sentamos lá para descansar um pouco e molhar as mãos na fonte... Observar as pessoas, o céu... Ah, isso vale bem a pena... Aí, fomos para o Jardin des Tuileries , com uma vista linda... De lá nós vemos tudo de mais famoso em Paris... O Arc de Triomphe, o obelisco, a torre Eiffel, o musée d’Orsay, Notre Dame, a Opéra, e bem ao longe a Sacre-coeur. Sentamos na graminha para termos um momento “verão em Paris” (não vai rolar biquíni e nadar nas fontes gente! Hahaha Isso é demais para nós!) e fomos ao parquinho!!!! Andamos de roda-gigante e comemos crepe de Nutella! Bom, mas muito doce... E como não sou muito fã de doces, vai ficar só nesse mesmo!

Depois andamos mais e quando vimos! Quase 21 horas e sol a pino! Fomos correndo para casa, pois o mercado fecha às 20 horas e não tínhamos nada para o jantar!

Domingão visita à Notre Dame! Foi o dia que eu mais ouvi português nesse um mês! Muitos brasileiros! Aliás, muito tudo! E a fila gigante... Desistimos de entrar, fica para outro dia... Mas andamos no jardim, ao longo do Sena e chegamos até uma das unidades da Sorbonne, muito bonita, grande e imponente. Bem próximo fica o Museu da Idade Média, que fala por si... E fomos para casa... Afinal, depois de domingo vem a segunda-feira em qualquer lugar do mundo...

O calor já não está tão insuportável... Tem dias de chuva e faz um ‘friozinho’ bom... Mas nada que subir e descer escadas não esquente... E foi num desses dias, que eu vinha observando como os franceses não sorriem... Não se ajudam (isso é complicado... todo dia tem alguém de idade sofrendo para subir e descer essas escadarias e no máximo as pessoas reclamam que eles estão ‘atrapalhando’; pessoas com malas enormes; mães com filhos de colo e carrinho de bebê e ninguém ajuda! – um adendo, os franceses têm muitos filhos pequenos, e no mínimo três... será que existe um programa para eles terem mais filhos como houve na Itália?)... Aí fiquei pensando... Será que tem como saber quais são os países mais felizes? E chegando em casa, fui ver as notícias e a Forbes havia publicado naquele dia o resultado de uma pesquisa perguntando “Qual o país mais feliz do mundo?”! hahahaha Achei demais a coincidência! E lá fui eu confirmar minhas impressões: o Brasil é 12º país mais feliz do mundo enquanto que a França está como 44º colocado. Aí, depois de segundos de euforia fui investigar quais os índices que eles utilizaram. Não estava muito claro, mas além da situação financeira do país eles indagavam às pessoas sobre como elas se sentiam no geral vivendo em seus países (considerando felicidade, relacionamentos, patriotismo... Coisas mais subjetivas...). Enfim, em 12º ou em 44º lugar ou mais ou menos isso, nós sorrimos mais e nos ajudamos mais... Mesmo em São Paulo... ^^
Bom, por hoje é isso... Sempre tem muito mais a escrever, dizer, relatar... Mas sei que textos muito grandes tomam tempo e desencorajam...  J Mas preferi escrever em “pequenas” doses à chegar ao Brasil e mal conseguir lembrar do fiz no dia anterior!

Beijos e saudades!!!! 

Salut!!!


  Esse relato trata de 19 dias de Paris!!!

  Na verdade saí pela primeira vez de Paris e fomos conhecer um pedacinho do Norte da França, Chantilly, em Oise. Viagem de trem, cerca de duas horas, lugar muito bonito! Fica nítida a transição cidade-campo ao longo do trajeto... Transição um tanto quanto abrupta, mas mesmo assim muito interessante!


  A cidade que fomos conhecer tem um castelo Château de Chantilly , lá em Oise, no vale do rio Nonette, um afluente do rio Oise. Parece que tem algo a ver com um tal  François Vatel, provavelmente quem criaou a receita do creme de chantilly. Lá nós vimos duas construções principais, o Grand Château e oPetit Château, mas nós não entramos neles. E foi lá (para quem gosta de uma fofoquinha televisiva) que o Ronaldinho (o Gordo) se casou com a Daniela Cicarelli (affe!), hehehe. Mas claro, não fomos lá por isso... Além desse castelo contornado por um pequeno rio repleto de patos e peixes, fica nessa cidade oMusée vivant du cheval (Museu vivo do cavalo), que tem cavalos vivos e apresentações de cavalo (a entrada é muitoooooo fedida!) e claro, souvenirs de cavalos!!! Cavalos de pelúcia, chaveiros de cavalo, abridores de garrafa de cavalo, enfim, cavalos!!!! E tudo muito caro, como de costume! Nesse dia embarcamos na dos franceses e “almoçamos” na grama... Menu: baguete e coca-cola! Agradável e mais agradável ainda (pelo menos para mim, que adoro observar as pessoas nos seus cotidianos!) ver as famílias sentadas, comendo (ele levam cestas imensas para piquenique), conversando, as crianças correndo e fazendo bagunça, as mães falando algo em francês do tipo “não faça isso”, “pára quieto menino!”, os casais apaixonados no maior jeitão de filme europeu... Todos fugindo da sombra e sentados ao sol! Como eles gostam do sol torrando!!! Incrível!

  Retornamos a Paris e fomos à padaria mais famosa daqui, Ladurée. Lá são vendidos os macarons mais famosos de Paris (para quem não conhece e está com preguiça de ir no Google, esses são docinhos que lembram os alfajores, massa macia e recheio com um creme doce, de diversas cores e sabores), que na verdade eu não sou muito fã. Fila enorme, maioria turistas, claro. Não podia tirar foto lá dentro, mas quem segura uma japinha com máquina digital na mão, né Pri??? Quando a moça da padaria disse que não podia mais de dez fotos tinham sido tiradas, hehehe...

  Depois desse dia, fomos levar a mãe da Pri e a amiga dela para o aeroporto (que estava repleto de soldados... Não sabemos o por quê, mas desconfiamos que foi por conta da possível bomba no avião da Air France que saiu do Brasil no sábado, inclusive só os brasileiros foram apalpados aqui no domingo antes do embarque). Pegamos um ônibus, o RoyssyBus de volta para Paris e fomos caminhar um pouco. Tudo fechado de domingo! T-U-D-O!!!! Mas encontramos uma loja equivalente ao nosso “A partir de 1,99” que vendia Havaianas falsas!!!! Pois é, acho que depois de futebol e samba, falou Brasil os europeus pensam em Havaianas, é uma febre... Realmente a frase “Havaianas, todo mundo usa” pegou aqui. E os preços são correspondentes (se uma Havaianas custa 25 reais no Brasil, aqui ela custa 25 euros) ou bem mais caros...

  Segundona choveu e finalmente sentimos um friozinho! Porque até agora todo o meu ideal de Europa não se concretizou... Cadê o frio, as pessoas cheias de roupas, o tempo nublado, a garoa? Tá certo que é verão, mas me sinto em Ribeirão Preto... Fomos na Gare Du Nord comprar nossas passagens para Londres de Eurostar. O preço varia muito!!! Com dois meses de antecedência pagamos 44 euros... Comprando na véspera, sai mais de 400 euros!!! Efeitos da crise?? Não sei...

  Mudei de salinha aqui no museu, mais espaçosa, com janela e menos poeira. Tenho companhia, mas não entendi o nome da moça... Vou criar coragem e perguntar de novo. Talvez aqui eu tenha internet. Diz o Emmanuel que o processo foi rápido, vamos ver se logo menos o meu IP vai ser reconhecido pelo Museu.

  Essa semana teve feriado. 14 de julho, queda da Bastilha. Bom, para quem me conhece bem, sabe que em condições usuais eu ficaria em casa vendo da TV, uma vez que detesto aglomerações, muvucas e coisas do tipo. Mas estamos na França, no feriado a internet resolveu não funcionar, não temos televisão, a Revolução Francesa era um dos assuntos mais interessantes de História Geral, por que não ir? Afinal, nas horas vagas somos turistas!


  Começou dia 13 de noite com o Bals des Pompiers, ou simplesmente o Baile dos Bombeiros. Cada Caserne des Pompiers tem seu baile, todos com entrada gratuita ou você paga o quanto quiser, com shows e tals. Só um que tem que pagar 3 euros porque os bombeiros fazem striptease. Calma, não fomos nesse, hehehe, somos meninas comportadas! Fomos num próximo de casa, muito divertido, uma mistura de quermesse com bar da Filô/Tardão do Lageado (para quem não conhece são festas da biologia em Ribeirão e da Unesp-Botucatu). Tinha barraquinha de cachorro quente com batata-frita (ambos secos!!! Eu não gostei), refri, suco, água, chá e cerveja e a barraquinha do champagne!!! Além de um barquinho na margem do rio vendendo champagnetambém. Antes da entrada tinha uma espécie de pré-balada, tocando rock, uma galera dançando, fazendo piquenique na beira do rio, e lá dentro as barraquinhas, mesas e cadeiras, famílias inteiras, pessoas de todas as idades música e depois uma banda tipo banda de formatura, muito engraçado! Foi bem divertido e inesperado.


  No dia 14, achando que tudo seria como no baile dos bombeiros, lá fomos nós para a Champs-Élysées ver o desfile do 14 juillet. Lotadooooooooooo!!! Só uma saída do metrô aberta e muita gente!!! Ficamos atrás de um monte de gente, mal dava para ver a rua, mas o desfile começou com a frota aérea das forças armadas francesas: jatos, caças (o mais legal!!!!!), porta aviões, helicópteros... Aí, começou a chover, uma galera foi embora e conseguimos ficar bem na frente... Mas, eis que surge, do nada, um francês “simpaticão” pedindo um espaço no guarda-chuva... Até aí tudo bem, até ele começar a falar sem parar... Affe! Tem gente chata e inconveniente em todo o mundo! Além dele sair seco e nós encharcadas, ele não parou de falar 1 minuto, só bobagem (inclusive, como a maioria  dos franceses diz, que ele não sabe falar espanhol, a língua oficial do Brasil...), nem vou gastar linhas escrevendo...


  Depois, de noite, fomos ao Trocadéro ver a queima de fogos na torre Eiffel. Lotadooooooooooooo!!!!! Sabe metrô em São Paulo, estação Sé, seis da manhã? Pior! Na ida e pior na volta, quase 1 da manhã. Realmente os fogos são lindos, e é muito engraçado: explodem uma miríade de fogos e eles aplaudem; mais um tanto e eles aplaudem. Aí, acabou, todo mundo vai para casa. Aí se instaura o caos. Uma porta só do metrô aberta e muita confusão. Mãe gritando porque perdeu o filho, policiais segurando o fluxo de pessoas, nossa!!! Sem esquecer do grupinho de aborrecentes muito malas atrás de nós (não estávamos com sorte mesmo!) falando e gritando asneira, empurrando e colocando as patinhas na frente da nossa máquina quando nós tentávamos tirar fotos... Comprovado: gente inconveniente tem aqui e aí!!! A propósito, a galerinha mais jovem aqui é muito mal educada!

  A experiência de estar aqui é excelente. Conhecer pessoas, costumes, lugares, arquitetura, arte, ciência... É uma situação ímpar. Mas vale muito para valorizar e muito a nossa casa. É um país cheio de problemas, corrupto, educação à míngua entre outros muito graves, sim é. Mas não é pior que aqui ou que ali. É diferente. Tem muito problema aqui que nós não temos aí e vice-versa. Os rankings, os índices que medem desenvolvimento, riqueza, por exemplo, levam em consideração determinados fatores e valores, mas nem tudo é quantificado e comparado e creio que nem seja possível.  Muita coisa dita e acreditada é, para mim, de origem histórica, coisas difíceis de desgarrar, preconceitos embutidos em “falsas verdades”.  Observo de pequenas coisas como as pessoas se tratam, ou como cuidam do seu espaço de trabalho, como coisas maiores como a que custo manter os pontos turísticos sempre atraentes e bonitos em detrimento da manutenção do metrô para as pessoas daqui.

  Quem vem com uma visão ingênua para algum país da Europa pode se decepcionar. E não é que conversando com um amigo sobre isso ele me falou de uma tal de “Síndrome de Paris”!? De início fui preconceituosa e achei frescura, bobagem. Mas quem sou eu para medir a sensibilidade de algumas pessoas que restritas à um mundo todo particular e irreal sucumbem à uma condição psicossomática quando encaram um mundo deveras distinto daquele que elas sempre esperavam encontrar? Em resumo a síndrome é o seguinte (afeta principalmente turistas japoneses): eles chegam à Paris com uma idéia de cidade dos sonhos, onde habita o povo mais educado e polido do mundo, tudo é bonito, elegante e perfumado. E se deparam com uma cidade normal, povo normal, muitas vezes mal educados e indiferentes (talvez pelo cansaço de lidar com turistas?), repleta de problemas como qualquer grande cidade, com pobreza, diferenças sociais gritantes, e aqui e ali um prédio estonteante, um castelo, museus e museus em cada esquina e muita gente apressada comendo baguetes e MacDo. Simplesmente a vida como ela é...

  Beijos e muitas saudades de todos e tudo (até do bandejão)!!!

22 de jul. de 2010

Paris, de nouveau!

Bonjour mes amis!!! Comment ça va?

Bom, aqui vai tudo muito quente, muito caro e muito empoeirado, hehehe, mas tudo bem. Meu corpo ainda dói e fico pescando a manhã toda aqui no laboratório ainda. Eu não acreditava nesse jetlag, mas olha que ele existe. Acho que ele foi agravado porque eu não consegui dormir na viagem (11h, dois filmes inteiros, um pela metade, vários joguinhos, CDs de músicas inteiros... e Nada!). Espero semana que vem estar bem. 
Paris é uma cidade muito bonita, muitos prédios muito antigos, poucos com um estilo “moderno”, mas uma cidade grande como todas as outras. Tem sujeira, pixação, pedintes e o metrô apesar de muito prático, grande e bastante funcional, é muito sujo! Mas as pessoas são bem mais educadas e silenciosas que aqui, apesar de que sempre se escuta um “à merd!” bem alto aqui e ali. Enfim, é normal, mas como bem disse a Pri, em Paris você está andando por uma ruazinha qualquer e de repente você “tropeça” na tour Eiffeil, no Arc du Triumphe, na Sacre-Coeur, naNotre-Dame, no Louvre... E sim, causa um impacto! J
As pessoas tomam sol em todas as graminhas da cidade e se banham em algumas fontes, de boa, como se fosse praia mesmo, biquíni, toalha... E almoçam nas praças, parques, nas cadeiras ou nas graminhas, não importa. Eu mesmo tenho almoçado assim. As boulangeriesvendem os sanduíches, baguetes, croissants, mas não tem mesinhas nem nada, aí você compra e vai comer no espaço aberto mais próximo. Até o MacDonalds é assim, claro que tem mesas, mas uma quantidade enorme de pessoas, especialmente os jovens, pegam as sacolinhas do MacDoe vão piqueniquear... Muito comum!
Falando em MacDo, temos algumas diferenças. Não temos o Cheddar MacMelt. Porquê? Porque todos os lanches são com queijo cheddar!!! E temos as batatinhas “Deluxe Potatoes” que são em formato de lua, um charme. Muita salada, água, suco... O MacDo aqui é mais saudável mesmo, mas ainda é Mac. E tem o café da manhã lá que vem 3 pãezinhos (um é croissant e os outros eu não sei) e uma bebida quente a sua escolha ou suco de laranja, muito bom! E barato! J Ah, eles tem um concorrente, o Quick... Tipo Mac, mas lanches maiores, mas não tão bom, só a salada que é muito boa.
Desde que cheguei (exceto terça pq os museus fecham) todo dia tem crianças, escolas famílias no museu, no Jardin des Plantes e no Zoo do museu. Incrível!!! Pena que aí não é assim...
Outra coisa que descobrimos aqui. Os preços são por idades: crianças, jovens e adultos. Não lembro exatamente os intervalos, mas até 26 anos você paga menos que adultos. Por um ano perdi essa mamata!
Turistas aos montes, orientais (só sei distinguir japoneses, os de outros países não), alemães e claro, brasileiros. Encontramos vários, 3 casais só na FNAC. Os orientais fazem fila nas lojas caras, tipo Louis Vuitton DiorLacoste etc e têm atendimento vip... Os “pedintes” que eu citei acima são na maioria mulheres muçulmanas, sempre vestidas de preto e olhando para o chão, é bastante incômodo de se ver... Parece que elas estão com vergonha... Continuando o tour pelo mundo, muitos indianos, muitos negros, muitos restaurantes africanos, parece que mesmo sendo considerada um dos países mais xenofóbicos a França não conseguiu evitar de ser um país repleto de nacionalidades (digo França mas me restrinjo a Paris). Inclusive vi muitos casais multi-etnícos e muitos casais com filhos adotados, é muito comum. Pais brancos com filhos negros e asiáticos e pais negros e filhos brancos e etc... Achei muito legal. Tá certo que estou aqui a poucos dias, mas reforço a minha idéia de que as pessoas falam demais do que não conhecem. Cada impressão é única. Tenho certeza que se cada um de vocês vier para cá, as impressões serão as mais diversas e nem por isso não verdadeiras.
Viajar pela Europa não é barato. É se for planejado com muita antecedência. Por exemplo, uma viagem para Portugal, você pode gastar 80 euros com antecedência ou até 400 euros se deixar para em cima da hora, e não importa o meio de transporte. Então, quem vier para cá, ou planeje todas as viagens com bastante antecedência ou traga muitos euros!!! J
Falando em euros, coisas baratas: queijos, vinhos, presunto Parma (nham!) e outros frios, frutas da época (cereja!!!!, damasco...). Morar é caro. Alugamos um apartamento (studio) bem barato, mas é bem sujinho e são 4 lances de escadas (cada um com 38 degraus ¬¬), o prédio é do século 18, seria lindinho se houvesse manutenção, mas está jogado às traças. E mesmo assim é um apartamento “bom”, pois tem privada e ducha dentro do apartamento ¬¬’. Achamos um hotel familiar (não sei por que tem esse nome, mas também é num desses prédios do século 18), mas parece que as camareiras não são muito confiáveis... Vida de estudante/turista não é fácil.
Outra coisa que não esperava de acordo com o que falavam é que encontramos até agora a maioria das pessoas muito simpáticas, très sympa! Não sei se é porque chegamos falando em francês com elas ou porque é lenda mesmo. Mas demos sorte! Até para fazer a carte navigo(carteirinha para todos os transportes dentro de Paris, muito útil, prática e barata!) recemos a ajuda de um senhor, muito simpático, que depois que percebeu que éramos de fora começou a falar italiano conosco (kkkkkk!!!) e quando dissemos que somos brèsiliennes ele sorriu e perguntou se sabíamos que nosso time seria o campeão mundial dessa copa. Nós dissemos que seria bom e ele afirmou que será, hahahaha. Parece que há uma torcida grande aqui para o Brasil nessa copa. Muitas camisetas da nossa seleção nas lojas e uma super movimentação para assistirem o jogo de sexta num telão numa praça a qual esqueci o nome. Talvez nós iremos.
Bom, o museu. Na verdade fico no prédio da entomologia que fica ao lado do museu, na Rue Buffon. Meu deus! Que bagunça! Tanta coisa legal, mas tana! De coleção didática e científica à literatura! E uma bagunça!!!! Belll como eu sofro!!!! E a poeira!!!
Estou numa salinha empoeirada, mas que um pouquinho de esforço ficava um xuxu! Gente, tá mais bagunçado que o nosso lab! Mas a coleção, ah a coleção! Quanta coisa! Ao mesmo tempo que dá uma alegria, dá um desespero. É muita coisa. E como o Matile foi organizado! Sou fã dele mesmo. Apesar está tudo uma confusão. Parece que aconteceu o seguinte: o Matile descobriu a doença em 1999 e faleceu abruptamente em 2000. Mas até pouco antes de adoecer muito e vir a falecer ele estava trabalhando, e muito. Segundo o Christophe, ele continuava um trabalho grande com Cluzobra. Não olhei as caixas todas de Mycetophilidae (isso inclui a coleção do Duret e a que o Matile construiu, é coisa para caramba!) mas as de Keroplatoidea sim. Ele identificava o material e o que ele tinha duvida ele deixava num cantinho com indicações, geralmente um interrogação e o que ele acha parecido (por exemplo: Urytalpa? sp. n. ou  Pyrtaula agrícola?) e vários grupinhos de gêneros separados na caixas por espécies novas, por descrever, separadas inclusive por morfotipos (sp. n. 1, sp. n. 2, sp. n. 2 etc), tudo muito organizado e muitas espécies para verificar e por descrever, inclusive em Mycetophilidae, muito muito muito!!! Mas depois que ele faleceu a coisa degringolou... Ninguém sabe onde estão os tipos que ele guardou em álcool, alguns espécimes foram emprestados e não foram anotados... Muitos tipos que constam no catálogo do Evenhuis eu ainda não encontrei. Outra coisa foi todo o material que ele emprestou mundo afora. Achei 12 caixas do MZUSP!!! E mais um com bichos do museu do Rio de Janeiro, e de outros lugares, Chile, Austrália, Havaí, África, EUA... E ninguém devolveu e nem vão acho, pois é muita coisa. E nessas caixas também tem a mesma coisa que na coleção dele e do Duret. Espécies por descrever, confirmar a identificação etc. Estou esperando para conhecer o Emmanuel. Ele trabalha aqui na coleção e pareceque sabe mais das coisas e é gentil.
Apesar da nossa baguncinha aí (não que eu goste dela a partir de agora, hehehe J) nosso laboratório tem uma infra muito boa. As lupas que estou usando são bem mais ou menos quando acostumamos com as daí, e as cadeiras são bem ruins também, Paulete, para ver cloropídeos aqui, só com muita fé, hehehe. Além de que está mega calor aqui e nada de ar condicionado e ah, não tem naftalina aqui!!!! Mas também encontrei uns alfinetes só com o pó dos Keroplatidae aqui, rs.
No mais, pagamos uns miquinhos claro, mas bem poucos para a surpresa de todos inclusive a minha. Tanto que não me recordo de nada engraçado. Talvez a Pri se lembre depois de algum. Meu francês ainda está bem limitado (apesar que já elogiaram a minha pronúncia do pouco que eu falo, hehehe) mas estou entendendo muito bem! Onde falei com um moço que falava mega acelerado e nem precisei pedir para ele falar plus doucement! Mas olha, entender as criancinhas francesas falando é um desafio!!!! Hahahaha Só entendo Maman Papa  e olhe lá! O duro é falar outra língua depois. Tem um equatoriano aqui, o Rafael (estuda Tabanidae) e foi uma piada conversarmos! O francês dele é muito bom, mas fomos falar em espanhol e/ou português!!!! Foi a maior mistura de portunholcês da terra! Como é difícil! Mas foi engraçado. E descobri que meu espagnol está péssimo! Kkkk
Saudades de todos aí, ainda não deu para sentir que vão ser 3 meses aqui, ainda parece “turismo”. Mas agora mudamos para uma casa fixa (por 1 mês e 15 dias) e acho que as coisas se assentam. Parece que estou aqui faz só uma semana mesmo, mas parece que faz mais de mês que não estou aí!
Escrevam também contando as novidades daí!

Je vous embrasse! À bientôt!