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11 de ago. de 2010

Mais de Paris!

Olá!!!
Essa semana não está das melhores, hehe... Um pouco de dor no pé (dei mal jeito num paralelepípedo), segunda acordei com um super torcicolo do qual venho me recuperando bem! Também um pouco lenta aqui no museu... Por mais que a saudade bata forte, bateu também a noção do que são apenas quase três meses para conhecer uma coleção, encontrar o material, separar o material, estudar a morfologia e preencher uma matriz (além de outras coisinhas). Hahaha, eu achei que seria moleza e sobraria tempo!!!! Ingenuidade...  Mas mesmo assim o aporte de informação, conhecimento, idéias e organização das mesmas tem sido esplêndido. Só falta pegar no tranco essa semana... Mas vai ver que além de todos os torcicolos e adendos é também por conta do frio que começou (frio para mim, porque para eles aqui está uma delícia, hehe), enfim, Europa com cara de Europa! J

Jardim do Les Halles
Mas para compensar, semana passada foi muito bom. Estudei bem um grupo de gêneros (os de probóscide longa) e preenchi uma parte (ínfima L) da matriz... Já deu para perceber alguns problemas... Mas também surgiram algumas idéias... Mas passarei para o “turismo”, já que a descrição do trabalho no museu é compreensível apenas para uma parte de vocês! J

Sábado foi chato. Talvez porque já estejamos cansadas de andar todooooos os fins de semana... Não sei, pode ser. Mas é quando podemos sair, uma vez que o museu fecha mesmo!

Mas então, o sábado... Fomos explorar os arredores do nosso bairro a pé... Mais igrejas lindíssimas, castelinhos, jardins floridos, tudo muito lindo, mas o de sempre. E tirando fotos de um desses jardins trombei sozinha numa grade (quem me conhece bem sabe como sou capaz dessas proezas!) e estou com dois roxos enormes e doloridos, um no braço e outro no quadril!!!! Ah, gostei de uma rua (rue de La Banque) repleta de lojinhas para numismatas, moedas e dinheiros de todas as épocas e lugares!

Parc Buttes Chaumont
Parc Buttes Chaumont
Então seguimos para um parque, por indicação do nosso amado André J, chamado Bouttes Chaumont. Lindo, com cachoeira e tudo mais... Mas repleto de subidas, subidas e mais subidas! Sem contar os quase 10 lances de escadas do metrô que tivemos de subir porque eu não quis esperar o elevador... L Além do que não achamos um bom mercado para comprar nosso almoço e comemos queijinho (muito bom!) com refrigerante e só! Sim, estávamos exaustas. Ainda no parque, tomamos um sorvete. Péssima idéia, além de eu estar com cólicas (tinha esquecido esse detalhe!) meu estômago ficou ruim! Mas vamos que vamos, e pegamos um ônibus aleatório para algum lugar, afinal Paris é pequena não corremos mais o risco de nos perder facilmente!


Ônibus: lotado!!!! E vamos para onde? Cemitério Père Lachaise, local de descanso de váááárias celebridades.  Péssimo! Por quê? Lá vai:

Primeiro: não gosto de cemitérios;
Segundo: não sou fã de nenhuma das celebridades que está lá (talvez o Cuvier, mas nem tanto);
Terceiro: fui porque “todo mundo vai”;
E quarto: Só subida!!!!! Foi lá que machuquei o pé e inflamei um nervinho (estou me sentindo com muito mais que 27 anos essa semana! J)

Mas deixando de ser rabugenta... Tem coisas bonitas lá, alguns túmulos, o crematório e o jardim deste último. Mas é bonito para quem gosta, eu não gosto! J
Túmulo do Oscar Wilde

Depois, continuamos caminhando... Chegamos à praia de Paris, mas nesse dia choveu! J Estava muito quente e de repente fez um frio considerável à beira do Sena... Andamos mais um tantão em busca de mais um ônibus qualquer, não achamos e pegamos metrô mesmo!

Grand Galerie d'Evolution
Cansadas e um poucos frustradas com o passeio de sábado, pouco foi dito sobre o que fazer no domingo. Acordamos tarde, e despretensiosamente decidimos ir à Galeria de Evolução do Museum national d’Histoire naturelle! Perfeito! Compensou todo o sábado!

Lá lembro por que desde tão cedo (6 anos) escolhi estudar Biologia! Voltei à infância! Animais de todos os tipos, de todo o mundo, salas de projeções com vídeos, guias de leituras, dioramas interativos, pôsteres atraentes, grandes temas por andar... Além de gostar muito da organização do museu, adorei a estética, luz, tudo! Claro que por trás dessa minha euforia eu deixo escapar alguns probleminhas... Alguns dioramas quebrados, sem luz, alguns cartazes muito escondidos, ausência de monitores... Mas nada que faça muita falta. Ah, algo que eu notei nos museus daqui (em todos que visitei até agora) é que nas galerias sempre temos cadeiras, sofás, banquinhos para descansarmos. Parece irrelevante, mas considerando o tamanho das exposições acaba se tornando algo fundamental.

E algo impressionante também, e que eu acho muito bom, é a quantidade de famílias visitando os museus (não turistas, mas parienses mesmo). Eles se interessam, lêem, discutem, se admiram, muito bom ver isso! Na seção de animais extintos havia uma senhora ao meu lado, que se admirava em cada diorama, com cada animal! Lia tudo, inclusive chegava muito perto para ler os quadros dos dioramas que estavam sem luz!

Além da exposição permanente, fomos à exposição temporária “Dans l’ombre des dinosaures” (Na sombra dos dinossauros). Mais moderna e interativa, terminando com uma reflexão para o público. Muito bem pensada!

Raviolis
Depois, mesmo muito cansadas, demos uma volta pelo Jardin des Plantes e pegamos mais dois ônibus aleatórios para jantarmos num restaurante chinês (hahaha, estamos na França e saímos para comer comida chinesa!) os tão famosos raviolis (guioza de salsão com gengibre).

Falando nisso, Paris é um local muito bom para quem é vegetariano. Além da variedade, os pratos são bons. Muita salada, com variedade, pizzas, massas, comidas orientais (como já provamos vááárias), carne de soja e ontem provamos um “quibe” de fava. Muito bom!!! Nós reclamamos da comida daqui, mas na verdade é que a gente sente muito com a diferença de hábitos. A comida daqui é boa sim. Bem boa... Vou sentir falta do croissant, dos queijinhos, das saladas, de alguns docinhos... Mas ainda gosto mais da nossa!

Falando ainda de comida... A França já foi bem famosa pelo consumo e preparo de carne de cavalo. Hoje é muito difícil de encontrar. Inclusive encontrei adesivos pela cidade (especialmente no metrô) fazendo apelos para que não seja mais consumida a carne de cavalo. Até aí tudo bem. Cada um defende o que acredita, comer carne ou não comer. Mas o que achei engraçado que esse apelo não vem de vegans ou vegetarianos... São de grupos de pessoas que comem carne de vaquinha, de porquinho, de franguinho, peixinho... Achei engraçado... Porque matar e comer a vaquinha, o porquinho, o franguinho, o peixinho, o patinho (tem muito foie gras nos mercados) e não o cavalinho? Achei um pouco incoerente... Alguém brincou e me disse “Porque não foi a vaquinha que lutou junto aos soldados nas frentes de batalhas...”, se realmente for isso, aí que vou achar mais incoerente mesmo...
Praça da Bastilha

Ah, a frustação foi tanta que esqueci... Fomos à famosa praça da Bastilha e... E nada. Apenas um monumento bem sem graça (comparado à tudo ao que já vimos)  e sem nada em volta.

Bom, foi isso. Depois disso comecei a dar pane, hahaha. Preciso recuperar logo a saúde e o ânimo. Acho que recuperando a primeira, o segundo vem junto! J

Até o relato hoje foi breve! Ah, descobri o nome da minha colega de sala! Nelly! J

Beijos!!!

7 de jan. de 2010

Linda!

Insect Evolution Below the Species Level

Na última edição da Ecological Entomology o tema é Insect Evolution Below the Species Level:Ecological Specialisation and the Origin of Species. Os artigos são oriundos da RES Darwin-Wallace Celebratory meeting, de 22 de abril de 2009.

Os artigos:

Preface (p v-v)
Hugh Loxdale, Mike Claridge, Jim Mallet

Setting the scenehellip meeting up with Darwin and Wallace (p 1-9)
HUGH D. LOXDALE

Evolutionary aspects of ecological generalism with special reference to conservation biological control (p 10-17)
IGOR EMELIANOV

DNA profiling of host–herbivore interactions in tropical forests (p 18-32)
SARA PINZÓN NAVARRO, JOSÉ A. JURADO-RIVERA, JESÚS GÓMEZ-ZURITA, CHRISTOPHER H. C. LYAL, ALFRIED P. VOGLER

Intranidal mating, gyne polymorphism, polygyny, and supercoloniality as factors for sympatric and parapatric speciation in ants (p 33-40)
BERNHARD SEIFERT

Does strong selection promote host specialisation and ecological speciation in insect herbivores? Evidence from Neochlamisus leaf beetles (p 41-53)
DANIEL J. FUNK

Speciation in fig wasps (p 54-66)
JAMES M. COOK, SIMON T. SEGAR

Sequential speciation and the diversity of parasitic insects (p 67-76)
JEFFREY L. FEDER, ANDREW A. FORBES

Reinforcement in hybrids among once isolated semispecies of Danaus chrysippus (L.) and evidence for sex chromosome evolution (p 77-89)
DAVID A. S. SMITH, IAN J. GORDON, JOHN A. ALLEN

Shift happens! Shifting balance and the evolution of diversity in warning colour and mimicry (p 90-104)
JAMES MALLET

The roles and interactions of reproductive isolation mechanisms in fall armyworm (Lepidoptera: Noctuidae) host strains (p 105-118)
ASTRID T. GROOT, MELANIE MARR, DAVID G. HECKEL, GERHARD SCHÖFL

The pea aphid complex as a model of ecological speciation (p 119-130)
PECCOUD JEAN, SIMON JEAN-CHRISTOPHE

Micro-evolutionary change in relation to insecticide resistance in the peach–potato aphid, Myzus persicae (p 131-146)
BRIAN FENTON, JOHN T. MARGARITOPOULOS, GAYNOR L. MALLOCH, STEPHEN P. FOSTER

Differences in defensive behaviour between host-adapted races of the pea aphid (p 147-154)
GRIT KUNERT, ELODIE BELZ, JEAN-CHRISTOPHE SIMON, WOLFGANG W. WEISSER, YANNICK OUTREMAN

Rapid genetic changes in natural insect populations (p 155-164)
HUGH D. LOXDALE

29 de ago. de 2009

Darwin no SESC São Caetano


SESC São Caetano, em parceria com a Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), comemora os 200 anos do cientista Charles Darwin com ciclo de palestras, oficinas, minicursos e instalação.

Nascido em 1809, o inglês Charles Darwin revolucionou a história humana ao elaborar a Teoria da Evolução das Espécies, a partir do processo de seleção natural. A celebração dos 200 anos de seu nascimento é uma oportunidade para discutir a obra de Darwin em programação que acontece, de 14 a 19 de setembro, no SESC São Caetano e na USCS - Campus I e II.

Com atividades apoiadas em quatro eixos temáticos: Naturalismo, Evolução, Etologia e Antropologia, o colóquio, com inscrições online, apresenta “Com que óculos você quer ver o mundo?”, “De onde viemos e para onde vamos?”, “O seu caminho é com sentido?” e “Ser ou não ser, será?. Entre os palestrantes os destaques são: Prof. Dr. Carlos Rodrigues Brandão (Unicamp), Profª. Dra. Maria Isabel Pinto Ferreira Landim (Museu Zoologia - USP), Prof. Dr. Nélio Bizzo (USP) e o jornalista Marcelo Leite (Folha/SP, Editorial Ciência). A cerimônia de abertura, no dia 14/9, que acontece no Campus I da USCS, tem como tema “Darwin no contexto científico e social” com palestra do Prof. Dr. Aziz Ab’Saber (USP), com transmissão ao vivo pelo Portal SESCSP a partir das 19h.

O programa ainda conta com instalação lúdica sobre a vida e a obra de Charles Darwin e apresentação musical Os sons da evolução, com elementos (ritmos, temas e estilos interpretativos) que caracterizaram a música brasileira e como se deu sua evolução desde a segunda metade do século 19 até o início do 21, e o espetáculo After Darwin, que aborda as relações e os conflitos do então jovem naturalista Charles Darwin com o capitão Robert Fitzroy durante a histórica viagem do Beagle.


Vi AQUI.

25 de ago. de 2009

Olhando melhor...

Às vezes vale a pena aumentar nosso foco de visão... Quem diria que um mosquito (Diptera) pode ser tão belo, não?

Senhoras e senhores, apresento-vos Calliceratomyia pectinata, um belíssimo díptero da nossa Floresta Atlântica (o qual eu tenho o prazer de estudar):


Foto: Paula R. Riccardi

10 de abr. de 2009

Darwin - 200 anos




Para os entomólogos de plantão!!!!


Ciência, divulgação e blogs...


Às vezes eu achava bobagem as discussões acerca de blogs e em especial de blogs de ciências. Mas não é que existe perigo mesmo?
Diários, passatempo, álbuns de fotos, portfólios, meios de comunicação com quem está longe, núcleos de interação, fóruns, fontes de informação... Que mal há nisso tudo? Por que razão haver tanta implicância e discussão sobre quem faz e por que faz... Pois é, qualquer fonte de informação pode ser útil mas também muito perigosa... Desde o boca a boca, rádio, televisão e agora internet... Todos podem ser uma faca de dois gumes... O que fazer? Censurar? Proibir? Arriscado também, talvez até mais arriscado...
A grande solução [ utópica??? ] seria todos saberem trabalhar as informações recebidas... Buscar fontes, procurar diferentes pontos de vista e por fim, construir a sua informação, não apenas com base em uma única fonte, em uma única pessoa, texto, livro, programa, site/blog.
Bom, deixo aqui duas coisas... Uma é uma discussão da qual tomei conhecimento a partir de um blog de uma amiga, onde uma pessoa que se intitula "cientista" usou de sua autoridade para falar muita bobagem e envergonhar todos os que trabalham com Ciência e que levam a sério a divulgação da mesma... O tópico que apresenta essa situação embaraçosa é este e esta a carta resposta da minha amiga. Não coloco o link do blog do tal senhor referido no texto, porque não quero ser mais uma fonte de referência dele.
A outra sugestão de leitura é de uma reportagem que saiu na Revista Pesquisa Fapesp sobre o ScienceBlogs, escrita por Marcos Pivetta, clique aqui!
Boa leitura e reflexões!

15 de mar. de 2009

Rainha Vermelha


Vocês conhecem algo sobre a Teoria da Rainha Vermelha?
Também conhecida por Hipótese da Rainha de Copas, Rainha de Copas ou corrida da Rainha de Copas, é uma teoria proposta por Leigh Van Valen em 1973. Faz referência à corrida da Rainha Vermelha, no livro "Alice através do espelho", de Lewis Carroll. A rainha diz: "It takes all the running you can do, to keep in the same place.". Ela está relacionada à situações onde duas espécies evoluem juntas ('co-evoluem'), como por exemplo em situações de competição. Existem muitos exemplos interessantes, e no blog Rainha Vermelha tem muita coisa interessante. Eu gosto especialmente do exemplo de um crustáceo, a Daphnia magna.



Achei essa semana esse vídeo do Futurama pela internet, e ele é bem didático para quem nunca viu nada sobre a Rainha Vermelha em biologia:

Ver Vídeo

Sobre a Daphnia: Decaestecker, Ellen; Gaba, Sabrina; Raeymaekers, Joost; Stoks, Robby; Van Kerckhoven, Liesbeth; Ebert, Dieter & De Meester, Luc (2007): Host-parasite Red Queen dynamics archived in pond sediment. Nature 10.1038: .


Por que os mosquitos picam?




Essa é uma matéria com a qual contribuí, falando um pouquinho sobre mosquitos... ^^

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Desvende os mistérios que se escondem por detrás da picada de um pernilongo
Data: 26/03/2008

Quantas vezes você já ficou incomodado ou perdeu o sono porque um pernilongo estava zunindo no seu ouvido? É comum nos depararmos com essa situação, principalmente durante os períodos de calor, quando dormimos com as janelas abertas e sem lençol.

Segundo Rafaela Lopes Falaschi, mestre em Ciências, com especialização em Entomologia pela USP de Ribeirão Preto, isso acontece porque após localizar o alvo, os mosquitos o rodeiam até surgir a oportunidade de pousar sobre a pele e sugar o sangue. Ela explica também que há espécies que picam apenas em situações pouco reativas, como durante o sono, por exemplo.

Mas aí provavelmente você se pergunte: como é que eles encontram sua presa? A resposta é simples: a atração ocorre devido a combinação de alguns fatores e estímulos como a presença de CO2 (liberado pela respiração), umidade e ácido lático (componente comum do suor), além da visão do próprio inseto. “Podemos chamar esses fatores com o nome genérico de ‘odores do hospedeiro’ que, com freqüência, atuam de forma combinada. Nas partes bucais e nas antenas estão presentes sensores especializados na detecção desses estímulos químicos”, explica Rafaela. Ou seja, os pernilongos são atraídos por odores e gases por nós liberados durante atividades como respirar e suar, além de ter mecanismos específicos de detecção desses cheiros e utilizar a visão para localizar a presa.

Outro dado curioso é que os mosquitos machos alimentam-se apenas de substâncias açucaradas, como o néctar das flores, orvalho e gotículas secretadas por pulgões e frutas. Já as fêmeas também se alimentam de sangue e por isso são chamadas hematófagas. A bióloga explica que o líqüido é rico em proteínas necessárias para o amadurecimento dos ovos. Assim, se for picado, com certeza terá sido por uma representante do sexo feminino da espécie em questão, uma mãe que precisa de proteínas para nutrir e desenvolver suas crias. Apesar de algumas espécies demonstrarem preferência por mamíferos de grande porte como o ser humano, elas têm outras fontes de alimento. “De acordo com o grau de agressividade das fêmeas, os mosquitos podem sugar vertebrados aquáticos e mesmo outros insetos. Outras espécies apresentam-se bem mais restritas, com apenas uma única espécie de hospedeiro”, conclui Rafaela.

Crédito da matéria: Revista IN

25 de fev. de 2009

Sobre divulgar...

Segue mais um texto oriundo da mesma discussão, publicado em setembro de 2007...

"Vamos partir do que o dicionário nos diz, Divulgação é a ação de divulgar; vulgarização, propagação, difusão. Divulgar (do latim divulgare) é tornar público ou notório; publicar; propagar, difundir, vulgarizar.

O Ib,o síntese é um veículo de divulgação. Através dele, nós, alunos e ex-alunos do IB, colocamos nossas idéias , opiniões , interesses , propagandas, atividades e as mais diversas informações .Compartilhamos.

Mas devemos nos restringir a esse espaço? Ao Instituto de Biociências de Botucatu? E o que tem fora do IB? E as pessoas que não se encontram dentro das dependências físicas ou intelectuais da nossa Universidade? Devem compartilhar conosco? E nós devemos compartilhar com eles? Se sim, o quê compartilhar?

Aqui é o nosso primeiro passo. Já foi o meu, sete anos atrás. E continuo fazendo dele um meio para divulgar minhas idéias, experiências e vivências. E através dele também posso repensar as mesmas, acrescentar pontos e talvez, quem sabe, mudar algumas percepções.

Antes de divulgar idéias e qualquer tipo de conhecimento devemos pensar o debate. Debate, que é troca de idéias em que se alegam razões pró ou contra, com vistas a uma conclusão. Não é mudar a idéia/opinão dos outros, é trocar informações a fim de que possamos construir nossas próprias opiniões e idéias, ou apenas confirmá-las ou até mesmo mudá-las. O debate enriquece o nosso conhecimento e nossa argumentação. Ele não é uma disputa a ser vencida. Ele não é o meio para se chegar ao que é certo e errado.

Voltaire parecia esta oferecendo as armas quando dizia "defina bem seus termos antes da discussão”. Disse-me um amigo no dia em que escrevia esse texto. E não é? Em algumas das discussões decorridas nesse jornal, notei que infelizmente por conta de problemas com definições de termos (além de parco conhecimento de regras básicas de escrita) as discussões se perderam e ao invés de esclarecer pontos aos leitores, trouxe mais turbidez ao que já é turvo.

O Português do Brasil já difícil desde sua gênese e história. O que requer mais ainda de nós quando vamos escrever, divulgar idéias através do papel. Quanta confusão não traz um termo mal definido, um verbo mal conjugado, uma vírgula mal colocada, uma preposição trocada por uma conjunção e assim por diante? São coisas 'pequenas', mas que devem ser atentadas no momento de compartilhar os saberes, seja com pessoas do nosso círculo e ainda mais, quando vamos divulgar à diversidade de pessoas que compõem a sociedade.

Divulgar para quê e para quem? Acho um questionamento importante para nos fazermos. Divulgar o quê? Ciência? Mas primeiro, o que é Ciência?

Acho um interessante ponto de partida, para todos nós. Primeiro, segundo, terceiro, quarto ano. Mestrado, doutorado, docentes... Não importa o grau de formação. Iniciar discussões e debates num espaço aberto e livre como este é um começo importante. Onde vai parar? Não sei... Espero que longe, bem longe... E que cada vez mais envolva mais pessoas e mais questionamentos, com ou sem respostas prontas e finais."

Os muros, o povo e os funcionários do povo

O texto que segue foi escrito por mim em março de 2007. Ele é fruto de uma série de discussões que foram publicadas no "IB, o Síntese", jornal editado pelos alunos da biologia do CAVJ (Centro Acadêmico V de Junho), do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu, onde eu me graduei em Biologia.
Talvez ele faça mais sentido dentro do contexto de toda a discussão, mas o cerne de tudo é haver espaço para discussão, divulgação de conhecimento e embasamento antes se afirmar qualquer coisa. Aí segue a minha pequena contribuição...

"Eu estudo 'pintos' de mosquitos neotropicais e um famoso órgão de fomento financia meu projeto. É um projeto importante dentro de um contexto mais amplo nas Ciências Zoológicas e Ambientais. Com resultados a longo prazo. Mas ele também não atravessa os tais muros. Discordo que a minha pesquisa é desligada do interesse social. Mas quem faz a pesquisa, NÓS biólogos, cientistas é que somos desligados do interesse social, somos NÓS que construímos esse muro, que não é de concreto e sim de (estúpidas) idéias, somos NÓS que não sabemos o que é Ciência e, portanto não cumprimos o nosso maior dever, divulgar o conhecimento científico.

“Ciência é ciência”. Isso me deixou triste. Ver que saímos da Universidade sem conseguir conceituar o que é Ciência. Ciência não é ciência. Precisamos antes de qualquer coisa, antes de nos enfiarmos num laboratório e começar a fazer "pesquisa" em Ciências, adotar uma definição de Ciência. Para isso precisamos ler, ler, ler bastante. Conhecer epistemologia, filosofia e história da ciência. Sim, aquelas matérias sem importância, que a gente assina a lista e sai para ir ao laboratório fazer a tal da "pesquisa".

Não é preciso fazer ou refazer o curso de Ciências Biológicas para acreditar que "o conhecimento científico por si só é de interesse público". Isso meu priminho sabe. O conhecimento, qualquer que seja é de interesse público. Mas se todos que não sabem o que é Divulgação Científica tiverem que refazer seus cursos... Ah, vai ser uma bagunça...

Pois é. Mesmo as nossas pesquisas tendo resultados a longo prazo (eu sequer sei se estarei viva para ver os primeiros resultados da minha), a nossa obrigação, o nosso retorno tem que ser imediato. E é aí que entra a tal da Divulgação da Ciência, que todo e qualquer biólogo tem a obrigação de fazer e fazer bem feito. Seja em que alcance for. Mas fazer com seriedade e compromisso. Os licenciandos e licenciados sabem, ou deveriam saber, com mais clareza e embasamento o significado disso. E alertar o quão

deficiente é a nossa divulgação da ciência, principalmente a qualidade dela.

Falta leitura. Falta saber BIOLOGIA aos biólogos. Falta ser biólogo. Falta humanidade. Falta muito...

A Universidade é um laboratório da ciência. Mas nós, os pesquisadores, é que não trabalhamos a serviço do povo. Somos péssimos funcionários. Uma elite fajuta. Com uma inércia vergonhosa e uma soberba triste."


A discussão se iniciou a partir dessa composição feitas por dois alunos da biologia... Não importando se o resultado agradaria ou não, o importante é que foi gerada discussão e reflexão, infelizmente algumas pessoas ainda crêem que em discussões há quem ganhe e quem perca, sendo sempre uma batalha, quando na verdade deveriam todos ganhar, uma vez que não existem verdades absolutas e toda e qualquer forma de conhecimento e forma de pensar enriquece a nossa mente e constrói o mundo que nos cerca...




21 de fev. de 2009