



"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."
Que orgulho!!!!
The 2008 Ig Nobel Prizes were awarded on Thursday night, October 2, at the 18th First Annual Ig Nobel Prize Ceremony, at Harvard's Sanders Theatre.
NUTRITION PRIZE. Massimiliano Zampini of the University of Trento, Italy and Charles Spence of Oxford University, UK, for electronically modifying the sound of a potato chip to make the person chewing the chip believe it to be crisper and fresher than it really is.
REFERENCE: "The Role of Auditory Cues in Modulating the Perceived Crispness and Staleness of Potato Chips," Massimiliano Zampini and Charles Spence, Journal of Sensory Studies, vol. 19, October 2004, pp. 347-63.
PEACE PRIZE. The Swiss Federal Ethics Committee on Non-Human Biotechnology (ECNH) and the citizens of Switzerland for adopting the legal principle that plants have dignity.
REFERENCE: "The Dignity of Living Beings With Regard to Plants. Moral Consideration of Plants for Their Own Sake"
WHO ATTENDED THE CEREMONY: Urs Thurnherr, member of the committee.
ARCHAEOLOGY PRIZE. Astolfo G. Mello Araujo and José Carlos Marcelino of Universidade de São Paulo, Brazil, for measuring how the course of history, or at least the contents of an archaeological dig site, can be scrambled by the actions of a live armadillo.
REFERENCE: "The Role of Armadillos in the Movement of Archaeological Materials: An Experimental Approach," Astolfo G. Mello Araujo and José Carlos Marcelino, Geoarchaeology, vol. 18, no. 4, April 2003, pp. 433-60.
BIOLOGY PRIZE. Marie-Christine Cadiergues, Christel Joubert, and Michel Franc of Ecole Nationale Veterinaire de Toulouse, France for discovering that the fleas that live on a dog can jump higher than the fleas that live on a cat.
REFERENCE: "A Comparison of Jump Performances of the Dog Flea, Ctenocephalides canis (Curtis, 1826) and the Cat Flea, Ctenocephalides felis felis (Bouche, 1835)," M.C. Cadiergues, C. Joubert, and M. Franc, Veterinary Parasitology, vol. 92, no. 3, October 1, 2000, pp. 239-41.
MEDICINE PRIZE. Dan Ariely of Duke University (USA), Rebecca L. Waber of MIT (USA), Baba Shiv of Stanford University (USA), and Ziv Carmon of INSEAD (Singapore) for demonstrating that high-priced fake medicine is more effective than low-priced fake medicine..
REFERENCE: "Commercial Features of Placebo and Therapeutic Efficacy," Rebecca L. Waber; Baba Shiv; Ziv Carmon; Dan Ariely, Journal of the American Medical Association, March 5, 2008; 299: 1016-1017.
WHO ATTENDED THE CEREMONY: Dan Ariely
COGNITIVE SCIENCE PRIZE. Toshiyuki Nakagaki of Hokkaido University, Japan, Hiroyasu Yamada of Nagoya, Japan, Ryo Kobayashi of Hiroshima University, Atsushi Tero of Presto JST, Akio Ishiguro of Tohoku University, and Ágotá Tóth of the University of Szeged, Hungary, for discovering that slime molds can solve puzzles.
REFERENCE: "Intelligence: Maze-Solving by an Amoeboid Organism," Toshiyuki Nakagaki, Hiroyasu Yamada, and Ágota Tóth, Nature, vol. 407, September 2000, p. 470.
WHO ATTENDED THE CEREMONY: Toshiyuki Nakagaki, Ryo Kobayashi, Atsushi Tero
ECONOMICS PRIZE. Geoffrey Miller, Joshua Tybur and Brent Jordan of the University of New Mexico, USA, for discovering that a professional lap dancer's ovulatory cycle affects her tip earnings.
REFERENCE: "Ovulatory Cycle Effects on Tip Earnings by Lap Dancers: Economic Evidence for Human Estrus?" Geoffrey Miller, Joshua M. Tybur, Brent D. Jordan, Evolution and Human Behavior, vol. 28, 2007, pp. 375-81.
WHO ATTENDED THE CEREMONY: Geoffrey Miller and Brent Jordan
PHYSICS PRIZE. Dorian Raymer of the Ocean Observatories Initiative at Scripps Institution of Oceanography, USA, and Douglas Smith of the University of California, San Diego, USA, for proving mathematically that heaps of string or hair or almost anything else will inevitably tangle themselves up in knots.
REFERENCE: "Spontaneous Knotting of an Agitated String," Dorian M. Raymer and Douglas E. Smith, Proceedings of the National Academy of Sciences, vol. 104, no. 42, October 16, 2007, pp. 16432-7.
WHO ATTENDED THE CEREMONY: Dorian Raymer
CHEMISTRY PRIZE. Sharee A. Umpierre of the University of Puerto Rico, Joseph A. Hill of The Fertility Centers of New England (USA), Deborah J. Anderson of Boston University School of Medicine and Harvard Medical School (USA), for discovering that Coca-Cola is an effective spermicide, and to Chuang-Ye Hong of Taipei Medical University (Taiwan), C.C. Shieh, P. Wu, and B.N. Chiang (all of Taiwan) for discovering that it is not.
REFERENCE: "Effect of 'Coke' on Sperm Motility," Sharee A. Umpierre, Joseph A. Hill, and Deborah J. Anderson, New England Journal of Medicine, 1985, vol. 313, no. 21, p. 1351.
REFERENCE: "The Spermicidal Potency of Coca-Cola and Pepsi-Cola," C.Y. Hong, C.C. Shieh, P. Wu, and B.N. Chiang, Human Toxicology, vol. 6, no. 5, September 1987, pp. 395-6. [NOTE: THE JOURNAL LATER CHANGED ITS NAME. NOW CALLED "Human & experimental toxicology"]
WHO ATTENDED THE CEREMONY: Deborah Anderson, and C.Y. Hong's daughter Wan Hong
LITERATURE PRIZE. David Sims of Cass Business School. London, UK, for his lovingly written study "You Bastard: A Narrative Exploration of the Experience of Indignation within Organizations."
REFERENCE: "You Bastard: A Narrative Exploration of the Experience of Indignation within Organizations," David Sims, Organization Studies, vol. 26, no. 11, 2005, pp. 1625-40.
WHO ATTENDED THE CEREMONY: David Sims

Fotografia deriva das palavras gregas φωτος phótos ("luz"), e γραφις graphis ("estilo", "pincel") ou γραφη graphê, significando "desenhar com luz" ou "representação por meio de linhas", "desenhar"; é uma técnica de gravação por meios químicos, mecânicos ou digitais, de uma imagem numa camada de material sensível à exposição luminosa, designada como o seu suporte.
“O tratorista havia acabado de dar quatro ou cinco passos no palco, e a história havia apenas começado, quando Capa acionou seus flashes para fazer a primeira foto. Isso interrompeu de imediato o desenrolar da peça. A garota de unhas pintadas escondeu-se atrás de umas samambaias e não voltou a mostrar a cara durante todo o resto da cena. O tratorista esqueceu o texto. A líder de brigada tropeçou e tentou em vão salvar a apresentação. O restante da peça foi representado como um eco, com os atores repetindo as falas sussurradas pelo ponto, de modo que se ouvia tudo em duplicata. E toda vez que estavam prestes a se recompor, Capa disparava seus flashes e os deixava desconcertados. (…) A natureza irresponsável da moça decadente era simbolizada tanto pelo esmalte vermelho das unhas como por um colar de contas de vidro e bijuterias vistosas. E o espoucar dos flashes a deixou tão nervosa que ela rompeu o colar e as contas espalharam-se por todo o palco. Foi aí que a peça desandou de uma vez por todas.”
“O público adorou. E aplaudia entusiasticamente toda vez que havia um disparo de flash.”
John Steinbeck
Retirada do Livro Um Diário Russo
Cosac Naify- 2003




Obentô [お弁当] ou bentô [弁当] como é mais conhecido popularmente, é uma espécie de marmita japonesa onde uma refeição completa é disposta dentro de uma caixa (obentô bako).
Estima-se que o obentô tenha surgido na Era Kofun, a partir do costume de viajantes e agricultores que levavam uma espécie de alimento portátil, chamado hoshii [干し飯井] (arroz cozido e posteriormete exposto ao sol para secar, transformando-o num alimento não perecível), ao local de trabalho. A forma de consumo era simples: bastava mergulhar em água morna, ou mastigá-lo como um senbei (bolachas feitas a partir de arroz).
A forma mais próxima do obentô conhecido nos dias de hoje surgiu na Era Azuchi Momoyama. Os alimentos eram contidos em luxuosas caixas de madeiras laminadas, na época conhecidos como yusanbentô [遊山弁当], e consumidos durante a apreciação das flores de cerejeiras (hanami) [花見] ou da mudança de tons das folhas do momiji, [もみじ] que durante o outono passam do verde para o amarelo, depois para o castanho avermelhado até que caem no inverno.
Na Era Edo, o obentô ganhou uma versão mais simples. Os viajantes carregavam uma versão simples, chamada de koshibentô [腰弁当], que recebeu este nome por ser tranportado na região lombar (koshi). O koshibentô consistia em vários onigiri (bolinhos de arroz) acondicionados em kouri (caixas feitas de casca de bambu ou galhos de salgueiros trançados) e posteriormente embrulhados em panos (furoshiki) e presos à região lombar.
Kouri [行李] - caixas feitas de casca de bambu ou galhos de salgueiros trançados
Os obentô mais comuns desta época consistiam basicamente em onigiri e umeboshi (ameixa azeda em conserva). O makunouchi-bentô [幕の内弁当] (obentô de intervalo entre atos de uma peça teatral) também surgiu nesta época. Como o nome diz, os espectadores de teatro Noh e Kabuki levavam consigo este obentô, composto de onigiri, omelete e legumes cozidos, para consumir durante os intervalos da apresentação.
O ekiben [駅弁] (obentô vendido nas estações de trem) surgiu na Era Meiji, junto com a implantação de rede ferroviária. Há registros de que o primeiro ekiben vendido, foi na estação ferroviária de Utsunomiya em 16 de julho de 1885, contendo dois onigiri e uma porção de takuan (conserva de nabo) embrulhados em folhas de bambu. Atualmente o ekiben é preparado de acordo com os ingredientes típicos de cada região.
A partir da década de 80 o obentô se popularizou com a introdução de microondas na cozinha e a proliferação das konbini (lojas de conveniências) . Atualmente existem diversos tipos de obentô, normalmente com diferentes tipos de legumes, peixes e arroz branco. A grande maioria da população japonesa ainda tem como hábito preparar e levar seus próprios obentô para o trabalho, escola, viagens, eventos esportivos etc.
O objetivo do obentô, já não é mais restrito à alimentação. Montar uma refeição que agrade os olhos também é importante. Assim, é comum as mães japonesas prepararem um obentô decorado, elaborado e divertido para incentivar seus filhos a comerem todo o almoço.
A razão considerada ideal para montar um obentô equilibrado é de uma porção de proteína para duas porções de vegetais ou frutas (fibras e vitaminas) e três porções de arroz (ou outro carboidrato), sendo considerada uma razão de 1:2:3.
O tempo dedicado para o seu preparo é considerado importante, pois o que faz esta técnica única é o tempo e dedicação investidos em criar uma refeição balanceada e bonita.
Fontes:
http://lunch.nomaki.jp/knowledge/knowledge_01.htm
http://blogs.yahoo.co.jp/okome_meister/31172865.html
http://www.nippobrasil.com.br/2.historia_jp/index.shtml
http://web-japan.org/kidsweb/ja/virtual/bento/bento02.html
http://justbento.com/handbook/bento-basics
http://waraku.main.jp/wanochie-3-bento.htm
Fonte: Publicado por Haruna Koide, no site Nipocultura.

Uma vez a pessoa mais fofa do mundo postou esse poema em um espaço virtual... Tive de roubá-lo e homenageá-la... Ela é linda e tem o sorriso mais amarelo vibrante que eu já senti... ^^
É a minha irmã gêmea, minha amiga, minha mariposinha, uma linda bonequinha... Alguém que enternece meu coração...
Hoje acabou-se-me a palavra,
e nenhuma lágrima vem.
Ai, se a vida se me acabara
também!
A profusão do mundo, imensa,
tem tudo, tudo - e nada tem.
Onde repousar a cabeça?
No além?
Fala-se com os homens, com os santos,
consigo, com Deus... E ninguém
entende o que se está contando
e a quem...
Mas terra e sol, luas e estrelas
giram de tal maneira bem
que a alma desanima de queixas.
Amém.
"Amém", de Cecília Meireles

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A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-mo a algo que poderia ter o nome de ‘culinária literária’. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como ‘chef’. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo - porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento. As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos, são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblê baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblê... A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas! E o que é que isso tem a ver com o Candomblê? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante. Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ - dizia Goethe. Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira... (O amor que acende a lua, p. 59.)
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