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10 de abr. de 2009
Ciência, divulgação e blogs...

Diários, passatempo, álbuns de fotos, portfólios, meios de comunicação com quem está longe, núcleos de interação, fóruns, fontes de informação... Que mal há nisso tudo? Por que razão haver tanta implicância e discussão sobre quem faz e por que faz... Pois é, qualquer fonte de informação pode ser útil mas também muito perigosa... Desde o boca a boca, rádio, televisão e agora internet... Todos podem ser uma faca de dois gumes... O que fazer? Censurar? Proibir? Arriscado também, talvez até mais arriscado...
A grande solução [ utópica??? ] seria todos saberem trabalhar as informações recebidas... Buscar fontes, procurar diferentes pontos de vista e por fim, construir a sua informação, não apenas com base em uma única fonte, em uma única pessoa, texto, livro, programa, site/blog.
Bom, deixo aqui duas coisas... Uma é uma discussão da qual tomei conhecimento a partir de um blog de uma amiga, onde uma pessoa que se intitula "cientista" usou de sua autoridade para falar muita bobagem e envergonhar todos os que trabalham com Ciência e que levam a sério a divulgação da mesma... O tópico que apresenta essa situação embaraçosa é este e esta a carta resposta da minha amiga. Não coloco o link do blog do tal senhor referido no texto, porque não quero ser mais uma fonte de referência dele.
A outra sugestão de leitura é de uma reportagem que saiu na Revista Pesquisa Fapesp sobre o ScienceBlogs, escrita por Marcos Pivetta, clique aqui!
Boa leitura e reflexões!
15 de mar. de 2009
Rainha Vermelha
Vocês conhecem algo sobre a Teoria da Rainha Vermelha? Também conhecida por Hipótese da Rainha de Copas, Rainha de Copas ou corrida da Rainha de Copas, é uma teoria proposta por Leigh Van Valen em 1973. Faz referência à corrida da Rainha Vermelha, no livro "Alice através do espelho", de Lewis Carroll. A rainha diz: "It takes all the running you can do, to keep in the same place.". Ela está relacionada à situações onde duas espécies evoluem juntas ('co-evoluem'), como por exemplo em situações de competição. Existem muitos exemplos interessantes, e no blog Rainha Vermelha tem muita coisa interessante. Eu gosto especialmente do exemplo de um crustáceo, a Daphnia magna.
Achei essa semana esse vídeo do Futurama pela internet, e ele é bem didático para quem nunca viu nada sobre a Rainha Vermelha em biologia:
Sobre a Daphnia: Decaestecker, Ellen; Gaba, Sabrina; Raeymaekers, Joost; Stoks, Robby; Van Kerckhoven, Liesbeth; Ebert, Dieter & De Meester, Luc (2007): Host-parasite Red Queen dynamics archived in pond sediment. Nature 10.1038: .
Por que os mosquitos picam?

Essa é uma matéria com a qual contribuí, falando um pouquinho sobre mosquitos... ^^
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Desvende os mistérios que se escondem por detrás da picada de um pernilongo
Data: 26/03/2008
Quantas vezes você já ficou incomodado ou perdeu o sono porque um pernilongo estava zunindo no seu ouvido? É comum nos depararmos com essa situação, principalmente durante os períodos de calor, quando dormimos com as janelas abertas e sem lençol.
Segundo Rafaela Lopes Falaschi, mestre em Ciências, com especialização em Entomologia pela USP de Ribeirão Preto, isso acontece porque após localizar o alvo, os mosquitos o rodeiam até surgir a oportunidade de pousar sobre a pele e sugar o sangue. Ela explica também que há espécies que picam apenas em situações pouco reativas, como durante o sono, por exemplo.
Mas aí provavelmente você se pergunte: como é que eles encontram sua presa? A resposta é simples: a atração ocorre devido a combinação de alguns fatores e estímulos como a presença de CO2 (liberado pela respiração), umidade e ácido lático (componente comum do suor), além da visão do próprio inseto. “Podemos chamar esses fatores com o nome genérico de ‘odores do hospedeiro’ que, com freqüência, atuam de forma combinada. Nas partes bucais e nas antenas estão presentes sensores especializados na detecção desses estímulos químicos”, explica Rafaela. Ou seja, os pernilongos são atraídos por odores e gases por nós liberados durante atividades como respirar e suar, além de ter mecanismos específicos de detecção desses cheiros e utilizar a visão para localizar a presa.
Outro dado curioso é que os mosquitos machos alimentam-se apenas de substâncias açucaradas, como o néctar das flores, orvalho e gotículas secretadas por pulgões e frutas. Já as fêmeas também se alimentam de sangue e por isso são chamadas hematófagas. A bióloga explica que o líqüido é rico em proteínas necessárias para o amadurecimento dos ovos. Assim, se for picado, com certeza terá sido por uma representante do sexo feminino da espécie em questão, uma mãe que precisa de proteínas para nutrir e desenvolver suas crias. Apesar de algumas espécies demonstrarem preferência por mamíferos de grande porte como o ser humano, elas têm outras fontes de alimento. “De acordo com o grau de agressividade das fêmeas, os mosquitos podem sugar vertebrados aquáticos e mesmo outros insetos. Outras espécies apresentam-se bem mais restritas, com apenas uma única espécie de hospedeiro”, conclui Rafaela.
Crédito da matéria: Revista IN
10 de mar. de 2009
9 de mar. de 2009
Quem muito fala...

Hoje conversei com um amigo sobre o quão convincentes as pessoas podem ser, mesmo que estejam falando 'necas de pitibiriba'... Ele me contava uns causos de pessoas cheias de eloqüência, charme, boa projeção de voz, etecetera e tal, que se você não for sagaz o suficiente e/ou saber um tantinho do tal asunto, vai cair como um patinho no conto do vigário e falar amém para esse monte de lorota... E qual ñ é minha surpresa quando dei uma passadinha no Brontossauros no meu jardim:
"Hoje queria escrever um texto mas não estou com paciência de pesquisar algo para escrever. Vou só escrever um causo que o Prof. Mariano Amabis sempre contava em suas aulas:
'Um dia um professor virou para mim e disse: eu dei uma aula super complicada e meus alunos não entenderam nada. Eu expliquei uma segunda vez e eles continuaram entender a matéria. Eu expliquei uma terceira vez… daí eu entendi.'
Muitas vezes queremos explicar coisas sem entender direito a essência do assunto. Daí replicamos o que está escrito em livros, papagaiamos o que ouvimos falar mas sem entender o assunto só fica a enrolação. Logo, às vezes prefiro me calar ao invés de falar com falsa propriedade sobre um assunto que desconheço.
O que tem tudo a ver com outro causo, este acontecido em uma cidadezinha em Portugal. Estávamos procurando uma igreja tal que existia em nossos guias. A Carol Recife perguntou a um ancião: “Você poderia nos dizer onde fica tal igreja?” e o velhinho, expondo toda sua lógica portuguesa, respondeu: “Não posso dizer o que não sei explicar.” (Carlos Hotta)
E não é? ;)
25 de fev. de 2009
Sobre divulgar...
"Vamos partir do que o dicionário nos diz, Divulgação é a ação de divulgar; vulgarização, propagação, difusão. Divulgar (do latim divulgare) é tornar público ou notório; publicar; propagar, difundir, vulgarizar.
O Ib,o síntese é um veículo de divulgação. Através dele, nós, alunos e ex-alunos do IB, colocamos nossas idéias , opiniões , interesses , propagandas, atividades e as mais diversas informações .Compartilhamos.
Mas devemos nos restringir a esse espaço? Ao Instituto de Biociências de Botucatu? E o que tem fora do IB? E as pessoas que não se encontram dentro das dependências físicas ou intelectuais da nossa Universidade? Devem compartilhar conosco? E nós devemos compartilhar com eles? Se sim, o quê compartilhar?
Aqui é o nosso primeiro passo. Já foi o meu, sete anos atrás. E continuo fazendo dele um meio para divulgar minhas idéias, experiências e vivências. E através dele também posso repensar as mesmas, acrescentar pontos e talvez, quem sabe, mudar algumas percepções.
Antes de divulgar idéias e qualquer tipo de conhecimento devemos pensar o debate. Debate, que é troca de idéias em que se alegam razões pró ou contra, com vistas a uma conclusão. Não é mudar a idéia/opinão dos outros, é trocar informações a fim de que possamos construir nossas próprias opiniões e idéias, ou apenas confirmá-las ou até mesmo mudá-las. O debate enriquece o nosso conhecimento e nossa argumentação. Ele não é uma disputa a ser vencida. Ele não é o meio para se chegar ao que é certo e errado.
Voltaire parecia esta oferecendo as armas quando dizia "defina bem seus termos antes da discussão”. Disse-me um amigo no dia em que escrevia esse texto. E não é? Em algumas das discussões decorridas nesse jornal, notei que infelizmente por conta de problemas com definições de termos (além de parco conhecimento de regras básicas de escrita) as discussões se perderam e ao invés de esclarecer pontos aos leitores, trouxe mais turbidez ao que já é turvo.
O Português do Brasil já difícil desde sua gênese e história. O que requer mais ainda de nós quando vamos escrever, divulgar idéias através do papel. Quanta confusão não traz um termo mal definido, um verbo mal conjugado, uma vírgula mal colocada, uma preposição trocada por uma conjunção e assim por diante? São coisas 'pequenas', mas que devem ser atentadas no momento de compartilhar os saberes, seja com pessoas do nosso círculo e ainda mais, quando vamos divulgar à diversidade de pessoas que compõem a sociedade.
Divulgar para quê e para quem? Acho um questionamento importante para nos fazermos. Divulgar o quê? Ciência? Mas primeiro, o que é Ciência?
Acho um interessante ponto de partida, para todos nós. Primeiro, segundo, terceiro, quarto ano. Mestrado, doutorado, docentes... Não importa o grau de formação. Iniciar discussões e debates num espaço aberto e livre como este é um começo importante. Onde vai parar? Não sei... Espero que longe, bem longe... E que cada vez mais envolva mais pessoas e mais questionamentos, com ou sem respostas prontas e finais."
Os muros, o povo e os funcionários do povo
Talvez ele faça mais sentido dentro do contexto de toda a discussão, mas o cerne de tudo é haver espaço para discussão, divulgação de conhecimento e embasamento antes se afirmar qualquer coisa. Aí segue a minha pequena contribuição...
"Eu estudo 'pintos' de mosquitos neotropicais e um famoso órgão de fomento financia meu projeto. É um projeto importante dentro de um contexto mais amplo nas Ciências Zoológicas e Ambientais. Com resultados a longo prazo. Mas ele também não atravessa os tais muros. Discordo que a minha pesquisa é desligada do interesse social. Mas quem faz a pesquisa, NÓS biólogos, cientistas é que somos desligados do interesse social, somos NÓS que construímos esse muro, que não é de concreto e sim de (estúpidas) idéias, somos NÓS que não sabemos o que é Ciência e, portanto não cumprimos o nosso maior dever, divulgar o conhecimento científico.
“Ciência é ciência”. Isso me deixou triste. Ver que saímos da Universidade sem conseguir conceituar o que é Ciência. Ciência não é ciência. Precisamos antes de qualquer coisa, antes de nos enfiarmos num laboratório e começar a fazer "pesquisa" em Ciências, adotar uma definição de Ciência. Para isso precisamos ler, ler, ler bastante. Conhecer epistemologia, filosofia e história da ciência. Sim, aquelas matérias sem importância, que a gente assina a lista e sai para ir ao laboratório fazer a tal da "pesquisa".
Não é preciso fazer ou refazer o curso de Ciências Biológicas para acreditar que "o conhecimento científico por si só é de interesse público". Isso meu priminho sabe. O conhecimento, qualquer que seja é de interesse público. Mas se todos que não sabem o que é Divulgação Científica tiverem que refazer seus cursos... Ah, vai ser uma bagunça...
Pois é. Mesmo as nossas pesquisas tendo resultados a longo prazo (eu sequer sei se estarei viva para ver os primeiros resultados da minha), a nossa obrigação, o nosso retorno tem que ser imediato. E é aí que entra a tal da Divulgação da Ciência, que todo e qualquer biólogo tem a obrigação de fazer e fazer bem feito. Seja em que alcance for. Mas fazer com seriedade e compromisso. Os licenciandos e licenciados sabem, ou deveriam saber, com mais clareza e embasamento o significado disso. E alertar o quão
deficiente é a nossa divulgação da ciência, principalmente a qualidade dela.
Falta leitura. Falta saber BIOLOGIA aos biólogos. Falta ser biólogo. Falta humanidade. Falta muito...
A Universidade é um laboratório da ciência. Mas nós, os pesquisadores, é que não trabalhamos a serviço do povo. Somos péssimos funcionários. Uma elite fajuta. Com uma inércia vergonhosa e uma soberba triste."
A discussão se iniciou a partir dessa composição feitas por dois alunos da biologia... Não importando se o resultado agradaria ou não, o importante é que foi gerada discussão e reflexão, infelizmente algumas pessoas ainda crêem que em discussões há quem ganhe e quem perca, sendo sempre uma batalha, quando na verdade deveriam todos ganhar, uma vez que não existem verdades absolutas e toda e qualquer forma de conhecimento e forma de pensar enriquece a nossa mente e constrói o mundo que nos cerca...
21 de fev. de 2009
20 de fev. de 2009
Culturas em risco
O aquecimento do planeta não é a única ameaça global a pairar sobre a Humanidade neste início de século XXI. Estudo publicado ontem pela Unesco (a organização da ONU para Educação, Ciência e Cultura) comprovou o que ativistas sociais já alertavam: as culturas locais perdem cada vez mais espaço e podem mesmo desaparecer em pouco tempo. O documento revelou que das 6.700 mil línguas existentes no mundo, cerca de 2.500 estão ameaçadas de extinção — 190 delas no Brasil.
Os números fazem parte da terceira versão do “Atlas das Línguas em Perigo no Mundo”, o primeiro lançado desde 2001. O documento destaca o Brasil como país de grande diversidade linguística e frisa que há políticas sendo desenvolvidas com o intuito de recuperar muitas das línguas ameaçadas.
Ainda assim, o país aparece entre que mais apresentam línguas em risco — todas elas indígenas.
A nova versão do atlas, apresenta mudanças nos critérios de classificação das línguas em relação às anteriores.
Agora, uma língua é considerada “em perigo” quando as crianças já não a aprendem com suas famílias, como língua materna, e se tornam bilíngues passivos, ou seja, entendem, mas não falam.
Uma única pessoa fala livoniano
O documento estabelece quatro níveis de vitalidade para as línguas: “vulneráveis” (as crianças falam, mas é usada somente no âmbito familiar); “ameaçadas” e “seriamente ameaçadas” (quando apenas as pessoas mais idosas e em número cada vez menor a utilizam); e “em situação crítica” (só utilizada pelos idosos e, ainda assim, muito raramente).
A situação é dramática em muitos casos. Para se ter uma ideia, só existe um falante nativo de livoniano em todo o planeta, na Letônia. A língua Eyak, do Alasca, foi declarada oficialmente extinta no ano passado, quando a última pessoa capaz de falá-la morreu. Estes são apenas dois exemplos em 2.500, frisam os autores do documento.
De acordo com o documento, somente ao longo das três últimas gerações nada menos que 200 línguas se tornaram extintas e outras 199 são faladas por menos de dez pessoas. Mais de um quarto das 192 línguas que já foram usadas nas Nações Unidas desapareceram. Outras 71 são consideradas “seriamente ameaçadas”.
Na apresentação do novo atlas ontem, os linguistas responsáveis pelo trabalho frisaram que as línguas em perigo não estão restritas a países pequenos ou áreas remotas do globo. O Brasil é um bom exemplo disso. Além disso, os especialistas querem encorajar os imigrantes a preservarem suas línguas nativas.
— Línguas em risco são um fenômeno universal — afirmou o linguista australiano Christopher Moseley, um dos responsáveis pela edição do atlas.
Nos Estados Unidos foram registradas 192 línguas ameaçadas — a grande maioria também indígena.
É o caso de Gros Ventre, falada por menos de dez pessoas, em uma reserva no centro de Montana. Todas são bem idosas e nenhuma delas é fluente na língua. A última pessoa que a falava de forma fluente morreu em 1981. No norte do estado de Wisconsin há um caso semelhante.
Trata-se da língua menomonee, com apenas 35 falantes
Idiomas indígenas nas escolas
A Rússia também apresenta um número elevado de línguas ameaçadas, 136. Há línguas criticamente ameaçadas, como a tundra enets, falada somente em algumas poucas ilhas da região do Ártico, e aquela falada por apenas uma pessoa. Mas nem tudo está perdido, dizem os especialistas.
No caso do livoniano, por exemplo, a língua praticamente extinta vem sendo resgatada por alguns jovens e por meio da poesia. O mesmo estaria acontecendo no Brasil, segundo os especialistas. Das 190 línguas ameaçadas registradas aqui, alguma se encontram em estado bastante crítico, como o crenaque, idioma indígena do sudeste, falado por menos de dez pessoas. E algumas já extintas, como omaguá e xacriabá.
Mas, como frisa Marleen Habard, editora do atlas para as regiões andinas, os grupos indígenas da América do Sul estão na vanguarda mundial no que diz respeito à preservação de línguas. Eles pressionam seus governos para reconhecê-las e protegê-las. No caso específico do Brasil, muitas línguas da Amazônia, por conta da pressão das comunidades indígenas, têm sido ensinadas nas escolas, ao lado do português.
Na América Latina, o México aparece com 144 línguas ameaçadas. No Equador, com 20 línguas em perigo, se destaca o ressurgimento, nos últimos anos, da língua andoa, com apenas 100 palavras, e do zápara, que se acreditavam extintas e substituídas pelo quechua.
Foi um jornalista quem descobriu um pequeno grupo de falantes do andoa em 2000, na fronteira com o Peru. De sua parte, a Bolívia registra 39 línguas em risco — uma das mais baixas listagens da região. O Peru aparece com 62, e a Colômbia com 68.
Para o coordenador geral do atlas, Christopher Moseley, “seria ingênuo e simplista afirmar que as grandes línguas de passado colonial, como inglês, francês e espanhol, são sempre as responsáveis pela extinção das outras”. — Há um jogo de forças sutil — afirmou.
Para Françoise Riviere, diretora de cultura da Unesco, a noção da importância da preservação das línguas maternas é crescente. — Estamos ensinando às pessoas que a língua do país natal é importante, e que devemos nos orgulhar de nossa língua.
Raimundo, o último caixana
Das 190 línguas do Brasil apontadas pelo novo atlas da Unesco como ameaçadas, as que se encontram em situação mais grave são aquelas faladas por grupos de até dez pessoas. Ao todo, 33 línguas, a grande maioria na Amazônia, se encontram nessa situação e são consideradas criticamente ameaçadas.
Os casos mais dramáticos são os das línguas faladas por apenas uma pessoa. Há pelo menos dois exemplos disso no Brasil, no caso da língua apiaká, pertencente a um grupo original do norte do estado de Mato Grosso; e da caixana, no Amazonas, falada somente por Raimundo Avelino, de 78 anos, que vive na localidade de Limoeiro, em Japurá.
Várias outras línguas são listadas como tendo somente dois falantes nativos, como guarasu e curuaia, ambas na Região Norte.
(O Globo, 20/2)
Tem dias que a se sente assim...
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
3 de fev. de 2009
As múmias do Llullaillaco
A primeira impressão é a de assombro. A gente se acostuma a imaginar múmias com bandagens dos pés à cabeça, sarcófagos, etc... Aí, encontra três crianças que foram sacrificadas há 500 anos e cujos corpos estão praticamente intactos! Difícil manter a boca fechada. Eu não consegui, principalmente por causa do estado de conservação, totalmente natural. Quem vê de perto, como eu vi, tem a nítida sensação de que, se tocar na múmia, ela vai despertar.Há 500 anos, essas crianças saíram de Cuzco (Umbigo do Mundo, em quéchua), no Peru, e foram levadas para o topo do vulcão Llullaillaco, no norte argentino (em bom espanhol argentino, leia-se "Jujaijaco"), a mais ou menos 1500 quilômetros de distância.
O império Inca foi um Estado-Nação que existiu entre 1200 e 1550, quando os invasores espanhóis chegaram. Abrangia desde o norte do Equador até o noroeste da Argentina e o norte do Chile. Eram diversas nações e mais 700 idiomas diferentes, sendo o mais falado o quéchua (ou quíchua), que ainda é idioma corrente principalmente na Bolívia e no Equador.
A pé, cobrindo em média 25 quilômetros por dia, as crianças encararam com paciência e resignação aquela que seria a última viagem de suas vidas, em direção ao altar de sacrifícios. Para nós pode parecer chocante, mas na cultura Inca essas crianças eram preparadas para isso desde o nascimento. Todas vinham da elite incaica, tinham que ser perfeitas, sem defeitos físicos, e dotadas de uma beleza incomum. E é sempre bom lembrar que, de acordo com os preceitos locais, elas não morreriam; simplesmente passariam para o lado dos deuses e, de lá, olhariam pela comunidade a que pertenciam.
No alto da montanha sagrada, as crianças foram embriagadas com chica, bebida à base de milho, que existe até hoje – a diferença é que, naquele tempo, ela era feita de uma maneira, digamos, mais ortodoxa: o milho era mascado pelos adultos e a massa que surgia daí era cuspida num tacho, onde recebia aditivos naturais para acelerar a fermentação e ganhar um certo teor alcóolico. E foi assim, depois de beber muita chicha, já em coma alcóolico, que as crianças eram suavemente depositadas numa cova... e ali morriam rapidamente, pelo frio e pela asfixia.
Foram exatamente a baixa temperatura (em torno dos 20 graus negativos) e a ausência de luz os grandes responsáveis pela notável preservação dos corpos. Nenhum aditivo a mais, como faziam os egípcios ou os italianos, nas recém- descobertas múmias de Palermo.
Os arqueólogos argentinos que faziam parte da descoberta logo perceberam que, se não agissem rápido, o destino das múmias seria o exterior, principalmente os EUA. Por isso, criaram o Museu de Arqueologia de Alta Montanha, para abrigar a descoberta. As múmias são mantidas praticamente nas mesmas condições em que foram encontradas – ou seja, pouca luz e temperatura de 20 graus negativos. E, para evitar problemas, só uma é exibida por vez.
Sabe o que é mais legal de toda essa história? Os arqueólogos argentinos que entrevistei sabem aonde estão outras 30 múmias em igual estado de conservação, espalhadas pelo continente – mas, atendendo a apelos das comunidades indígenas, descendentes dos Incas, eles decidiram que vão deixar que elas permaneçam nas suas tumbas. Sem revelar a localização, claro. É uma demonstração de consciência do homem contemporâneo com relação ao passado da América do Sul.
Ari Peixoto

28 de jan. de 2009
Produtivismo vs. Produtividade
"No produtivismo o que domina é a mercantilização do mundo/da vida (ou seja, tudo é reduzido às leis do mercado), desprezando-se todo e qualquer outro valor que não esteja associado ao lucro. Sob esta ótica, a educação tem como objetivo, apenas, a melhora da performance no mercado de trabalho. Entendo que o resultado perverso do produtivismo na educação (ensino, pesquisa e extensão), além do privilégio da quantidade com a negação da qualidade, é a continuidade de uma formação fragmentada dos indivíduos. Pode-se adquirir competências técnicas, mas reduzidas capacidades sociais, políticas e humanas, afinal, para o produtivismo, o que conta é a operacionalidade, o valor de uso.(...)
Mas, o desenvolvimento de novos valores de vida só será possível 'o etos do produtivismo começar a ser amplamente questionado' (Giddens): no trabalho, em nossas relações com o consumo e em nossas relações com o outro, na estrutura educacional, etc. Este questionamento torna-se urgente na Universidade, no momento em que ela começa a ser entendida como uma empresa privada."
Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira (Publicado no Jornal "A Razão" em 16.12.2004)
12 de jan. de 2009
Você é wallacista?
O texto abaixo eu retirei da seção "A Propósito" da REVISTA CH 251 de agosto de 2008, escrito por Franklin Rumjanek, professor titular do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Você é wallacista?
Artigo resgata importância do naturalista inglês que formulou teoria da seleção natural junto com Darwin
No entanto, dificilmente uma mudança desse porte resulta do trabalho de apenas um indivíduo. A história da ciência revela que grandes descobertas resultam invariavelmente de contribuições de diversos atores. No final da seqüência, alguém propõe uma teoria integradora e abrangente. O ato associativo característico das idéias revolucionárias pode envolver mais de uma cabeça, às vezes muitas. Na verdade, em ciência, descobertas simultâneas e independentes parecem constituir a norma, e são resignadamente consideradas pelos cientistas como ‘ossos do ofício’.
A teoria da seleção natural, é claro, não poderia ser exceção. Para começar, Darwin não teve um lampejo de inspiração, elaborando seu livro a partir do nada. Muitos trabalhos anteriores lançaram as sementes da visão evolucionista. Nessa trajetória pode ser destacado o próprio avô de Darwin, Erasmus Darwin (1731-1802), que muito antes já nutria a idéia da seleção natural. A mensagem do avô, sem dúvida, sedimentou-se subliminarmente no neto.
O francês Jean Baptiste de Lamarck (1744-1829) também foi fundamental como promotor dessa idéia. Darwin inclusive admite, em A origem das espécies, a idéia de Lamarck de que características adquiridas pelos seres vivos poderiam ser transmitidas aos descendentes. Conhecida como ‘herança de caracteres adquiridos’, tal idéia seria refutada mais tarde, quando os mecanismos genéticos ficaram conhecidos. Mas a ‘sombra’ de Darwin foi o também inglês Alfred Russel Wallace (1823-1913), que trilhou praticamente o mesmo caminho.
A mesma idéia
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Esse ensaio continha a mesma idéia que o colega já ‘costurava’ há 20 anos. Foi essa consulta que precipitou a histórica apresentação conjunta dos dois trabalhos, em julho de 1858, na Sociedade Linneana, assim como a publicação de A origem das espécies.
Cabe aqui a pergunta: por que não nos referimos à teoria da seleção natural como ‘wallacismo’? Embora hoje vários autores tentem resgatar o papel igualmente importante de Wallace, a personalidade que o mundo reconhece nesse campo é sem dúvida a de Darwin. Ninguém faz peregrinação à casa de Wallace ou visita seu túmulo.
Diversas interpretações tentam explicar como Darwin obscureceu Wallace. As mais comuns invocam a maior envergadura de Darwin como naturalista e sua forte inserção no círculo acadêmico da época. Como dizem Andrew Berry e Janet Browne em artigo (‘O outro caçador de besouros’) publicado recentemente (26 de junho) na revista científica Nature, a posteridade invariavelmente ignora o segundo lugar.
Modéstia e satisfação
Mas por que esse ‘segundo lugar’? Pela cronologia registrada, Wallace poderia ter sido o primeiro a publicar a idéia da evolução por seleção natural. Não o fez talvez por insegurança e pela necessidade de obter a ‘bênção’ de Darwin antes de enfrentar as críticas que certamente viriam. Segundo Berry e Browne, o próprio Wallace teria contribuído para a equivocada noção de segundo lugar por sua postura genuinamente modesta e, sobretudo, de absoluta satisfação com o fato científico que emergiu. Ser coadjuvante nesse ‘drama’ já teria sido, para ele, suficientemente recompensador.
Algumas décadas mais tarde, outra personagem adotou a mesma atitude. A inglesa Rosalind Franklin (1920-1958), que indiretamente forneceu a James Watson dados experimentais fundamentais para a descrição da estrutura da molécula do DNA, ficou fascinada diante de um modelo correto, a ponto de não requerer para si uma parte dos louros. São exemplos raros de verdadeiros pioneiros que colocam a ciência acima do ego.
Franklin Rumjanek
Instituto de Bioquímica Médica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro
franklin@bioqmed.ufrj.br














